Guterres pede apoio da comunidade internacional à agência para os refugiados palestinianos
O secretário-geral das Nações Unidas alertou hoje para a situação “cada vez mais precária” da agência para os refugiados palestinianos (UNRWA), apelando à comunidade internacional para apoiar o “trabalho vital” da organização.
“Ao reunirmo-nos aqui hoje, está em causa a segurança e o bem-estar de milhões de refugiados palestinianos”, disse António Guterres, numa conferência de doadores da agência da ONU, que gere centros de saúde e escolas nos territórios palestinianos ocupados, bem como no Líbano, Síria e Jordânia.
Guterres descreveu as condições de vida “absolutamente deploráveis” em Gaza, a expansão dos colonatos, a violência dos colonos israelitas na Cisjordânia e as consequências dos ataques israelitas no Líbano.
Apesar deste contexto, “a situação da agência é cada vez mais precária”, relatou, segundo a agência de notícias francesa AFP.
A UNRWA, continuou, “enfrenta restrições generalizadas nos territórios palestinianos ocupados e uma falta de liquidez que está a pôr em risco o seu trabalho em toda a região”.
“Durante gerações, os refugiados palestinianos contaram com a UNRWA para apoio e serviços essenciais. A UNRWA é essencial para preservar as condições humanitárias necessárias para uma solução política justa e duradoura, com dois Estados — Israel e Palestina — a viver lado a lado em paz e segurança”, disse Guterres, segundo um comunicado divulgado nas redes sociais e citado pela agência noticiosa espanhola Europa Press.
Por isso, instou todos os países a “sustentar o trabalho vital” realizado pela agência da ONU para “satisfazer as necessidades dos refugiados palestinianos, cumprir a responsabilidade internacional e ajudar uma região volátil a encontrar o caminho para um futuro justo e pacífico”.
Guterres criticou ainda as limitações impostas pelo Governo israelita ao trabalho da UNRWA.
“Estou indignado com os esforços contínuos para marginalizar e minar a UNRWA, através de desinformação, campanhas de difamação, ações legislativas, restrições operacionais, obstáculos diplomáticos e mais”, acrescentou, recordando que mais de 390 funcionários da agência foram mortos em Gaza desde o início do conflito em 07 de outubro de 2023.
A UNRWA, criada pela Assembleia-geral da ONU em 1949, tem sido há muito alvo de duras críticas israelitas, que se intensificaram após o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel a 07 de outubro e que desencadeou o conflito na Faixa de Gaza.
Israel acusou a agência de parcialidade e de estar “infestada de operativos do Hamas” e proibiu-a de qualquer atividade no seu território no início de 2025.
Perante a falta de financiamento, a UNRWA já teve de reduzir os seus serviços desde o início do ano.
“Qualquer redução adicional pode levar a situação para além do limite”, avisou Guterres.
Mais de 1.050 palestinianos morreram e 3.400 ficaram feridos devido aos ataques do exército israelita à Faixa de Gaza, desde o cessar-fogo acordado em outubro de 2025, indicaram hoje as autoridades do enclave, controlado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Desde o início da ofensiva lançada por Israel após os ataques de 07 de outubro de 2023 — que causaram cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, segundo o balanço oficial — 73.066 pessoas foram mortas e 173.514 ficaram feridas no enclave palestiniano.
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By Impala News / Lusa