Chefe da diplomacia da UE contesta condições para passagem no estreito de Ormuz

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, considerou hoje que a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é inegociável, apontando que a imposição de condições ao tráfego pode abrir um precedente difícil.

Chefe da diplomacia da UE contesta condições para passagem no estreito de Ormuz

“Por um lado, toda a gente diz que a liberdade de navegação é inegociável, o que significa que as vias marítimas internacionais têm de permanecer livres e abertas para todos. Ora, se começarmos a impor condições sobre o que pode ou não passar, então já estamos a aceitar que limitar essa passagem é, de certa forma, legítimo, e é isso que torna a situação difícil”, disse Kaja Kallas, em Bruxelas.

Falando na chegada à reunião dos ministros do Desenvolvimento da UE, a Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança destacou que o bloco comunitário está a “tentar pressionar e convencer todos os intervenientes de que a liberdade de navegação deve ser respeitada”.

“Vemos outros estreitos no mundo que também poderiam ser usados como arma de forma semelhante e isso não beneficia ninguém”, assinalou Kaja Kallas.

Admitindo que a UE “não tem muita influência sobre nenhum dos dois lados”, a responsável vincou que Estados Unidos e Irão deveriam “parar os ataques e reabrir o Estreito de Ormuz”.

As declarações surgem quando o Irão diz estar em negociações com Omã e todas as partes envolvidas para desenvolver um novo mecanismo para o Estreito de Ormuz.

No passado sábado, o Irão afirmou que vários países europeus estão em conversações com Teerão para obter autorização para atravessar o estreito de Ormuz, uma via estratégica para o comércio mundial de petróleo bloqueada desde o início do conflito no Médio Oriente, no final de fevereiro passado.

O bloqueio iraniano desta via marítima, por onde normalmente transita um quinto da produção mundial de petróleo, está a perturbar os mercados globais e confere a Teerão uma alavanca estratégica.

Antes, na quinta-feira, o Irão já tinha anunciado que as forças navais autorizaram a passagem de mais de 30 navios chineses pelo estreito de Ormuz.

A China é o principal importador de petróleo iraniano.

Na sequência do encontro de alto nível na semana passada entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, a chefe da diplomacia da UE disse que “foi positivo que os EUA e a China terem concordado que o Estreito de Ormuz tem de ser reaberto”.

“A China tem influência sobre o Irão, por isso espera-se que possa contactar o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, porque, considerando também os temas que discutimos hoje, isso tem um enorme impacto sobre as populações mais vulneráveis do mundo”, assinalou.

Está em vigor um frágil cessar-fogo neste conflito no Médio Oriente desde 08 de abril.

 

ANE (JSD)//APN

By Impala News / Lusa

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