Adicione a Impala como fonte preferida google share

Suspeito do atropelamento na Alemanha tinha tido alta psiquiátrica há poucos dias

O suspeito do atropelamento na Alemanha, em Leipzig, teve alta da psiquiatria dias antes do ataque que vitimou duas pessoas no centro.

Suspeito do atropelamento na Alemanha tinha tido alta psiquiátrica há poucos dias

Um homem de 33 anos, que na passada segunda-feira abalroou dezenas de pessoas numa zona pedonal em Leipzig, tinha abandonado uma unidade de saúde mental apenas cinco dias antes do ataque. As autoridades alemãs tentam agora perceber por que razão o sistema de avaliação de risco falhou, resultando em duas mortes e 22 feridos nesta atropelamento na Alemanha.

O rasto de destruição deixado no coração da Saxónia na tarde de 4 de maio não foi fruto de uma falha mecânica ou de um acidente fortuito. Segundo as investigações conduzidas pela Procuradora-Geral de Leipzig, Claudia Laube, o suspeito – um cidadão alemão com historial de instabilidade – conduziu deliberadamente um Volkswagen Taigo contra a multidão que circulava na Grimmaische Strasse.

O choque entre a clínica e a realidade

O detalhe mais perturbador deste caso reside no calendário clínico do agressor. No dia 17 de abril, o próprio homem solicitou ajuda e foi internado voluntariamente num hospital psiquiátrico. Contudo, na quarta-feira anterior ao incidente, recebeu alta hospitalar. O Ministério dos Assuntos Sociais da Saxónia apressou-se a clarificar que, durante o período de tratamento, o paciente não manifestou sinais de perigosidade que sustentassem o prolongamento do internamento.

Esta avaliação médica está agora sob escrutínio direto. Menos de uma semana depois de sair da unidade de saúde, o indivíduo lançou o veículo sobre os transeuntes a velocidades que testemunhas estimam entre os 70 e os 100 km/h. O balanço é trágico: uma mulher de 63 anos e um homem de 77 perderam a vida no local. Entre os 22 feridos, seis lutam pela sobrevivência em unidades de cuidados intensivos.

Travado por civis junto à Igreja de São Tomás

O pânico só terminou quando o veículo colidiu contra um pilarete de proteção junto à emblemática Igreja de São Tomás. Relatos de quem presenciou o ataque descrevem cenas de horror, incluindo o momento em que uma mulher, que se agarrava ao tejadilho do carro em movimento, caiu no pavimento após a paragem brusca.

Num gesto de coragem, um grupo de cerca de 15 civis imobilizou o condutor antes da chegada das forças de segurança. O suspeito, descrito como um homem careca e com várias tatuagens visíveis, foi detido pelas autoridades sem oferecer resistência adicional.

Luto e combate ao rumor

A cidade de Leipzig tenta agora processar o trauma. Enquanto a Igreja de São Nicolau prepara serviços memoriais, a polícia alemã mantém um alerta rigoroso contra a desinformação. Nas horas que se seguiram ao ataque, várias narrativas falsas sobre a nacionalidade do condutor e supostos ataques com armas brancas inundaram as redes sociais, tendo sido categoricamente desmentidas pelos factos apurados.

As autoridades descartam motivações políticas ou religiosas, focando-se num possível “gatilho emocional” ligado a uma disputa doméstica ocorrida horas antes da tragédia. O processo segue agora para perícia psiquiátrica forense, que determinará a imputabilidade criminal do detido, acusado de duplo homicídio e tentativa de homicídio em massa.

Luís Martins; WiN
Imagens Lusa e redes sociais

Adicione a Impala como fonte preferida google share