Exportação de alumínio por Moçambique cresceu para 1.170 ME antes de a Mozal fechar

As receitas da exportação de alumínio por Moçambique, totalmente dependente da Mozal, maior indústria nacional e que encerrou em 15 de março, atingiram máximos de 1.347 milhões de dólares (1.172 milhões de euros) em 2025, segundo dados oficiais.

Exportação de alumínio por Moçambique cresceu para 1.170 ME antes de a Mozal fechar

De acordo com dados compilados pela Lusa a partir do mais recente relatório do Banco de Moçambique que detalha as exportações, de janeiro a dezembro de 2025, esse volume representa um crescimento de 20% face aos 1.126 milhões de dólares (980 milhões de euros) em todo o ano de 2024, e compara ainda com os 1.101 milhões de dólares (959 milhões de euros) em 2023.

A exportação de barras de alumínio por Moçambique tem vindo a crescer e o banco central explicou, num relatório anterior, que esse aumento foi “impulsionado tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado”.

A australiana South32 confirmou em 16 de março que a Mozal, maior indústria moçambicana, está em regime de manutenção e conservação desde o dia anterior, prevendo gastar 52,4 milhões de euros com a suspensão da fundição, incluindo no despedimento dos trabalhadores.

“Nos últimos seis anos, envolvemo-nos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom [sul-africana que compra energia a Moçambique e a vendia à fundição] e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal para além de março de 2026”, disse o diretor executivo da South32 (que detém 63,7% da fundição), Graham Kerr, citado numa informação divulgada pela empresa.

Com o regime em que a fundição, uma das maiores em África – com mais 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos -, está desde domingo, sem produção, a South32 referiu hoje que prevê gastar 60 milhões de dólares (52,4 milhões de euros), incluindo na “rescisão de contratos”, custando só a manutenção, anualmente, cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros).

“Embora este não seja o desfecho que desejávamos, orgulhamo-nos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana nos seus 25 anos de operação”, acrescentou Kerr, na mesma informação.

Pelo menos cinco empresas encerraram pouco antes de a fundição suspender a atividade e dezenas de outras podem paralisar as atividades no Parque Industrial de Beluluane, sul de Moçambique, devido à suspensão da Mozal, segundo a empresa que gere aquela infraestrutura.

“Nós estimamos um universo de 25 empresas que prestam bens e serviços à Mozal. Já nos foi comunicado que a maioria destas empresas, em função daquilo que é a paralisação das atividades na Mozal, também estão a considerar acionar os mecanismos na mesma proporção”, disse à Lusa em 13 de março Onório Manuel, diretor-geral da Mozparks, entidade que gere aquele parque industrial, o maior do país, a 20 quilómetros de Maputo.

Com a saída da fábrica em Moçambique, prevê-se agora um impacto “nefasto” no ritmo de crescimento e desenvolvimento do parque, que estava, segundo o responsável, “muito acelerado e atraindo cada vez mais indústrias”.

“Na cifra da indústria transformadora, no Produto Interno Bruto, [a Mozal] contribuía com uma média de 49%, ou seja, o PIB de Moçambique é de 16 mil milhões de dólares [13,8 mil milhões de euros], a indústria transformadora contribui em 10%. Estamos a falar de 1,6 mil milhões de dólares [1,3 mil milhões de euros] de contribuição da indústria. Quase a metade disso é a contribuição da Mozal, então, até o PIB de Moçambique, sobretudo no setor social, vai decrescer”, concluiu Onório Manuel.

A South32 considerou anteriormente “totalmente insustentável” a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, em Maputo, justificando assim o seu encerramento, sem descartar reativar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.

Numa recente chamada com investidores australianos, a cuja transcrição a Lusa teve acesso e que envolvia a apresentação dos últimos resultados da South32, o diretor executivo, Graham Kerr, explicou que a “única oferta formal” para fornecimento de energia pela elétrica sul-africana Eskom foi de quase 100 dólares por megawatt-hora (MWh), quando, “fora da China, menos de 1%” das fundições têm contratos acima de 50 dólares por MWh.

PVJ // ROC

By Impala News / Lusa

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