Nicotina: A nova fronteira da longevidade ou um perigo disfarçado?
Ciência estuda como as propriedades neuroprotetoras da nicotina isolada – em pastilhas, sprays ou adesivos – pode beneficiar a saúde e a longevidade.
A ideia de que a nicotina pode ser benéfica parece quase como uma heresia após décadas de campanhas (justificadas) contra o tabagismo. No entanto, biohackers e investigadores estão a distinguir a substância do veículo. Enquanto o cigarro é um cocktail de milhares de toxinas cancerígenas, a nicotina isolada – em pastilhas, sprays ou adesivos – está a ser estudada pelas suas propriedades neuroprotetoras.
Nicotina coloca o cérebro em alta velocidade
A nicotina atua nos recetores nicotínicos de acetilcolina no cérebro, fundamentais para memória, atenção e aprendizagem. Estudos como o MIND Study, da Universidade de Vanderbilt, sugerem que doses controladas de nicotina podem melhorar significativamente a função cognitiva em idosos com comprometimento leve, podendo até retardar sinais precoces de doenças como Alzheimer e o Parkinson.
O caso dos biohackers: Microdoses para o foco

Não se trata de começar a fumar. Biohackers como Dave Asprey defendem o uso de doses mínimas (1mg a 2mg) através de pastilhas ou sprays para aumentar o estado de alerta. Segundo estes entusiastas, a nicotina limpa a névoa mental e otimiza a função das mitocôndrias, as centrais de energia das nossas células.
Contudo, a comunidade médica continua cautelosa. A nicotina aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de possuir um potencial de dependência extremamente elevado. “O benefício cognitivo existe, mas o preço a pagar pode ser a saúde cardiovascular”, alertam especialistas.