Moçambique precisa de 26 mil toneladas de sementes após destruição pelas cheias

Moçambique precisa de 26 mil toneladas de sementes certificadas de milho, feijão e arroz para responder à situação causada pelas cheias e às necessidades da segunda época da campanha agrária, anunciaram hoje as autoridades nacionais.

Moçambique precisa de 26 mil toneladas de sementes após destruição pelas cheias

De acordo com uma nota do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) moçambicano, durante as cheias e inundações no país nas últimas semanas foram afetados principalmente os distritos de Xai-Xai, com 290 hectares, e Chókwè, com 270 hectares, ambos na província de Gaza, sul do país.

De acordo com o MAAP, para fazer face à situação causada pelas cheias e às necessidades da segunda época da campanha agrária, o setor necessita de 15.000 toneladas de sementes certificadas de milho, 8.000 toneladas de arroz e 3.000 toneladas de feijão.

Sobre a reunião com os produtores de sementes na segunda-feira para coordenar ações que assegurem a disponibilidade atempada de sementes certificadas, no âmbito da recuperação pós-cheias e da segunda época da Campanha Agrária 2025/2026, o MAAP explica que foram apresentados cerca de 710 hectares de campos de produção de sementes dos três produtos.

O Presidente da Associação de Produtores de Sementes, Marcelino Botão, citado no documento, refere que o ‘stock’ disponível é atualmente de 2.300 toneladas de semente certificada de milho, 45 toneladas de semente certificada de arroz, 650 toneladas de feijão-nhemba, 270 toneladas de feijão vulgar e quatro toneladas de sementes de hortícolas.

Marcelino destacou que a maioria das empresas ainda se encontra na fase de planificação, não dispondo de ‘stock’ completo, sendo os dados referentes sobretudo às províncias de Gaza, Manica, Sofala e Nampula.

Quase 105 mil pessoas estão em centros de abrigo em Moçambique, devido às cheias que afetaram já praticamente 700 mil cidadãos em 20 dias, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 16:00 (14:00 de Lisboa) da segunda-feira, as cheias que se registam em vários pontos do país já afetaram 691.527 pessoas (mais 40 mil em 24 horas), equivalente a 151.963 famílias, ainda com 12 mortos, 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias inteiras continuam a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 124 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.194 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Segundo os dados mais recentes, estão atualmente ativos 105 centros de acomodação – mais seis face a domingo -, com 103.535 pessoas (mais 4.000), incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 366 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.

O registo do INGD aponta ainda para 287.013 hectares de área agrícola afetados, atingindo a atividade de 215.949 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

LCE (PVJ) // VM

By Impala News / Lusa

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