Roma abre investigação por sequestro após interceção de flotilha por Israel

O Ministério Público de Roma abriu uma investigação por sequestro de pessoas após a apresentação de três queixas na sequência da interceção, na semana passada, de embarcações da “Flotilha para Gaza” por forças israelitas.

Roma abre investigação por sequestro após interceção de flotilha por Israel

O alegado crime de sequestro de pessoas diz respeito ao espanhol Saïf Abu Keshek e ao brasileiro Thiago Ávila, atualmente detidos em Israel e que, no momento em que foram detidos em águas internacionais, ao largo de Creta (Grécia), se encontravam numa embarcação com pavilhão italiano, afirma a imprensa italiana, citando fontes próximas do processo.

Cerca de 175 ativistas de várias nacionalidades foram detidos na última quinta-feira em 20 embarcações desta nova frota que, segundo os seus organizadores, tinha como objetivo quebrar o bloqueio israelita do território palestiniano, onde o acesso à ajuda humanitária continua fortemente restringido.

A 01 de maio, as autoridades israelitas anunciaram que os ativistas detidos já se encontravam na Grécia com exceção de dois, Saïf Abu Keshek e Thiago Ávila, levados para Israel para interrogatório, o primeiro por “suspeita de pertencer a uma organização terrorista”, o segundo por “suspeita de atividades ilegais”, sem especificarem as acusações.

A detenção, conduzida “pacificamente” segundo Israel, ocorreu a centenas de quilómetros de Gaza, em águas internacionais ao largo de Creta, muito mais longe da costa israelita do que as anteriores interceções de frotas, tendo vários países denunciado o que classificam como uma operação “ilegal”.

Esta foi a segunda tentativa da frota “Global Sumud” de aceder à Faixa de Gaza, depois de, em 2025, na sua primeira viagem, várias centenas de ativistas, incluindo portugueses, terem sido detidos no mar, transferidos para Israel e posteriormente expulsos, o que levou também na ocasião o Ministério Público de Roma a abrir uma investigação.

Imediatamente após a interceção das embarcações da flotilha em águas internacionais, o governo italiano liderado por Giorgia Meloni condenou o sucedido e exigiu “a libertação imediata de todos os italianos detidos ilegalmente”.

Desde o frágil cessar-fogo que entrou em vigor em outubro passado na Faixa de Gaza, o exército israelita controla mais de metade do pequeno território palestiniano costeiro, onde o acesso à ajuda humanitária continua a ser amplamente restringido.

ACC // APN

By Impala News / Lusa

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