Como é que eu nunca tinha ouvido falar deste hotel? A experiência que vivi num dos segredos mais bem guardados do Algarve

Visitei o Vila Valverde Design Country Hotel, perto da Praia da Luz, e encontrei um dos hotéis mais surpreendentes que conheci nos últimos anos. Eis a minha experiência.

Como é que eu nunca tinha ouvido falar deste hotel? A experiência que vivi num dos segredos mais bem guardados do Algarve

Gosto de hotéis com história, ligações afetivas e que me façam pensar “Como é que eu nunca tinha ouvido falar disto?” mesmo sendo conhecedor de hotéis. Foi exatamente isso que aconteceu quando entrei no Vila Valverde Design Country Hotel, perto da Praia da Luz, em Lagos.

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A longa alameda ladeada por oliveiras, os jardins superiormente cuidados e a piscina exterior rodeada por um enorme relvado dão imediatamente a sensação de que este não é um hotel igual aos outros. Há espaço, há luz, há tranquilidade. As fotografias mostram um hotel bonito. A realidade consegue ser ainda melhor.

Foi uma das primeiras coisas que disse a Luís Tavares, proprietário do Vila Valverde. Sorriu e respondeu-me que ficaria preocupado se acontecesse precisamente o contrário: se as fotografias fossem melhores do que o hotel. Afinal, foi ele próprio quem fotografou grande parte da propriedade. A resposta fez-me sorrir, mas bastaram poucos minutos para perceber que tinha razão.

Um hotel que não foi pensado para impressionar

Quando entrei no quarto tive a confirmação da primeira impressão. A decoração é contemporânea, mas sem exageros. A madeira, a pedra e o ferro convivem naturalmente, criando um ambiente elegante sem nunca perder a autenticidade. Tudo parece pensado para durar e não apenas para causar impacto nas fotografias.

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Fiquei alojado num quarto superior, com varanda e vista para o mar. A casa de banho é ampla, luminosa e oferece uma daquelas pequenas experiências que ficam na memória: tomar banho enquanto se olha para o horizonte algarvio. O colchão revelou-se extremamente confortável e, durante toda a noite, o único som que entrou pela janela foi o do vento.

Mais tarde, sentado à conversa com Luís Tavares, percebi que aquela sensação não era fruto do acaso.

A história de uma quinta que quase nunca foi dele

Enquanto conversávamos, Luís começou a contar-me a história do Vila Valverde. Tudo começou em 2002, quando comprou aquela antiga quinta praticamente em ruínas. Mas o processo esteve longe de ser simples.

Contou-me que bateu à porta do proprietário para perguntar se estava interessado em vender. A resposta foi imediata: não.

Dois anos mais tarde, quando já nem pensava no assunto, encontrou-o por acaso em Lagos. Foi o antigo dono quem lhe bateu nas costas e perguntou se ainda queria comprar a propriedade. Dias depois fazia a escritura.

A surpresa seguinte surgiu quando percebeu que, por se tratar de um terreno agrícola, não podia demolir o edifício nem construir um hotel novo. A única solução era recuperar cuidadosamente a estrutura existente. Foi exatamente isso que fez.

A reconstrução aconteceu em três fases e muitas das pedras que hoje fazem parte do hotel pertenciam já à antiga quinta. Talvez seja por isso que o Vila Valverde transmite uma autenticidade tão difícil de encontrar.

“Como é que eu gostava de fazer férias?”

A determinada altura da conversa, Luís resumiu toda a filosofia do projeto numa frase: “Eu fiz isto do estômago, do coração… Como é que eu gostava de fazer férias?”

Depois de passar 24 horas no Vila Valverde, percebi perfeitamente o que queria dizer. Nada parece ter sido pensado para impressionar. Foi pensado para ser vivido.

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Os jardins convidam a caminhar, os espaços comuns nunca dão a sensação de estarem cheios e os apenas 15 quartos fazem toda a diferença. Curiosamente, apesar de o hotel ter outros hóspedes durante a minha estadia, praticamente nunca me cruzei com ninguém.

Há espaço para respirar. E isso, hoje em dia, vale muito.

Uma piscina afastada… e ainda bem

Antes de chegar imaginei que a piscina exterior pudesse estar demasiado longe da casa principal. Na prática, acontece precisamente o contrário.

O pequeno percurso até lá atravessa um dos jardins mais bonitos da propriedade e acaba por fazer parte da experiência. Além disso, a separação entre os quartos e a piscina ajuda a preservar a tranquilidade de ambos os espaços.

Quem preferir uma alternativa encontra ainda uma piscina interior aquecida, acompanhada por sauna e banho turco, num ambiente igualmente relaxante.

Um serviço que está sempre presente

Há uma característica do Vila Valverde que me marcou particularmente. Os colaboradores estão sempre presentes, mas quase nunca damos por eles.

Durante a estadia senti-me acompanhado sem nunca me sentir observado. Bastava surgir uma necessidade para aparecer imediatamente alguém disponível para ajudar.

É um equilíbrio difícil de conseguir.

A Melanie, que nos acompanhou durante a visita e nas refeições, representa bem essa forma de receber: próxima, simpática e genuína, sem qualquer artificialidade.

O restaurante faz parte da experiência

Há hotéis onde o restaurante é apenas mais um serviço. Aqui faz parte da experiência.

No Alecrim (aberto ao público), o chef surpreendeu-nos logo no início com uma interpretação muito criativa da cenoura algarvia e com umas extraordinárias chamuças de bacalhau com sweet chili. O aspeto leva-nos a esperar uma chamuça tradicional, mas o sabor do bacalhau transforma completamente a experiência.

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Seguiram-se umas bochechas de porco e um polvo irrepreensíveis, terminando com um creme brûlée que chegou quando já estávamos convencidos de que não conseguiríamos comer mais nada.

Na manhã seguinte, o pequeno-almoço confirmou o nível da cozinha. Na verdade, chamar-lhe pequeno-almoço é quase injusto.

É um verdadeiro brunch, servido à mesa, com uma enorme variedade de produtos e opções para diferentes regimes alimentares.

Afinal, o que é luxo?

Antes de terminar a conversa, Luís contou-me uma história que ajuda a compreender a filosofia do hotel.

Um empresário austríaco, habituado a passar grande parte do ano alojado em hotéis de luxo por todo o mundo, disse-lhe um dia: “Tu tens aqui um ás. Isto é que é luxo.” Depois explicou-lhe que podia deixar o computador na esplanada, sair para correr e regressar horas mais tarde para o encontrar exatamente no mesmo lugar. “Isso para mim é luxo.”

Percebi perfeitamente porque é que essa história lhe ficou na memória.

Para quem recomendaria o Vila Valverde?

Se procura animação constante, festas ou um resort com centenas de quartos, este provavelmente não é o hotel certo.

Mas se procura descansar, celebrar uma data especial ou simplesmente desligar durante alguns dias, o Vila Valverde merece estar na lista.

Recomendava-o sem hesitar a casais, luas de mel, aniversários, golfistas, quem faz teletrabalho e, curiosamente, também a quem viaja de mota. Foi assim que ali cheguei e encontrei um estacionamento amplo, protegido e com sombra, tornando-o uma excelente base para explorar Lagos, a Praia da Luz, Sagres ou a Costa Vicentina.

Saí do Vila Valverde exatamente com a mesma pergunta que me fiz quando entrei.

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