Visitante de outra estrela entra no sistema solar e cientistas procuram vida extraterrestre
Em julho de 2025, um objeto vindo de outra estrela entrou no sistema solar. Era apenas o terceiro da história a fazê-lo. Os cientistas foram imediatamente à procura de sinais de vida extraterrestre. Analisaram 74 milhões de sinais de rádio. O resultado foi publicado esta semana no Astronomical Journal.
A 1 de julho de 2025, o sistema de alerta astronómico ATLAS, instalado no Chile, detetou um objeto a aproximar-se do Sol em trajetória hiperbólica, o que significa que não pertencia ao sistema solar. Vinha de fora. Vinha de outra estrela. Foi batizado de 3I/ATLAS e tornou-se apenas o terceiro objeto interestelar confirmado a entrar no nosso sistema planetário, depois de 1I/’Oumuamua em 2017 e 2I/Borisov em 2019. A notícia gerou fascínio imediato em todo o mundo e as perguntas que a ciência não podia ignorar: e se não fosse natural, e se contivesse vida extraterrestre?
Vida extraterrestre: procura começa menos de 24 horas depois
O SETI Institute, organização científica dedicada à procura de inteligência extraterrestre, não esperou. Menos de 24 horas após o anúncio da descoberta de 3I/ATLAS, a equipa já estava a apontar o Allen Telescope Array, conjunto de 42 antenas de rádio no norte da Califórnia, ao novo visitante interestelar. Durante mais de sete horas, os investigadores varreram frequências de rádio entre 1 e 9 gigahertz, à procura de sinais estreitos e focados que não existem na natureza e que seriam evidência inequívoca de tecnologia.
“Os nossos Voyager tornar-se-ão artefactos extraterrestres noutros sistemas estelares. Por isso, é importante perceber a distribuição natural dos objetos interestelares para conseguirmos identificar anomalias que possam ser sinais de um objeto artificial”, afirmou a investigadora principal do estudo, a Sofia Sheikh.
Quase 74 milhões de sinais e apenas 200 candidatos
Os dados foram assombrosos em volume. Os instrumentos detetaram quase 74 milhões de sinais de rádio de banda estreita durante as observações. A equipa aplicou então um filtro clássico da investigação SETI: qualquer sinal que também apareça quando o telescópio está apontado para outro lado é quase certamente interferência humana, não uma transmissão do objeto.
Depois de remover os sinais ligados a tecnologia terrestre e filtrar apenas aqueles que correspondiam ao movimento de 3I/ATLAS no Espaço, restaram cerca de 200 candidatos. Cada um foi analisado individualmente. O veredito foi unânime: todos provinham de tecnologia na superfície da Terra ou de satélites em órbita do nosso planeta.
Não havia sinais de vida extraterrestre e o estudo foi publicado no The Astronomical Journal em junho de 2026.
O que é afinal 3I/ATLAS?
Apesar da ausência de sinais tecnológicos, 3I/ATLAS continua a ser um objeto fascinante. As observações do Telescópio Espacial Hubble revelaram que tem entre 430 metros e 5,6 quilómetros de diâmetro e apresenta todas as características de um cometa: núcleo gelado e coma brilhante de gás e poeira à sua volta, gerada pelo calor do Sol.
A origem é o que o torna único. Vem da direção da constelação de Sagitário, onde fica o centro da Via Láctea, e foi provavelmente ejetado do seu sistema estelar de origem há milhões ou até mil milhões de anos, tendo desde então viajado pelo espaço interestelar até ao nosso sistema solar.
Uma das propriedades mais curiosas é que expele metano, gás que normalmente não está associado a cometas do sistema solar. O astrofísico de Harvard Avi Loeb teoriza que o metano pode ser uma biossignatura, um sinal de processos biológicos. A NASA, mais cautelosa, diz que a presença de metano e dióxido de carbono sugere que o objeto se formou num ambiente muito diferente dos cometas do nosso sistema solar.
O que aprendemos
A ausência de sinais não é uma derrota. É um resultado. E um resultado útil. “Os resultados de 3I/ATLAS mostram como é realista detetar um sinal com a tecnologia que temos hoje. É por isso que é importante continuar a procurar, mesmo em objetos dos quais não esperamos sinais”, afirmou Valeria Garcia Lopez, co-autora do estudo.
Cada objeto interestelar que entra no sistema solar é uma janela para outro sistema estelar. É material que se formou à volta de outra estrela, transportado durante eras pelo espaço interestelar até à nossa vizinhança cósmica. E cada um é uma oportunidade de responder à pergunta mais fundamental que a humanidade alguma vez colocou: estamos sozinhos?
A resposta, por agora, continua a ser: não sabemos. Mas estamos a perguntar com cada vez mais precisão.