Unicef apoia desocupação de escolas usadas por deslocados das cheias em Moçambique
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) está a auxiliar na desocupação das escolas usadas como centros de acomodação durante as cheias de janeiro em Moçambique, para garantir a continuidade da aprendizagem nas áreas afetadas.
O apoio da Unicef ao setor, quando o ano escolar de 2026 arranca no final de fevereiro, visa garantir a continuidade da aprendizagem e minimizar a interrupção da educação das crianças nas áreas afetadas pelas cheias, segundo informação daquela agência da ONU.
“Em estreita colaboração com os parceiros e em apoio ao Ministério da Educação, o Unicef está a priorizar a retoma das aulas presenciais conforme previsto para 27 de fevereiro, incluindo nas zonas mais impactadas”, lê-se na nota.
De acordo com a Unicef, para assegurar um ambiente de aprendizagem seguro, protetor e favorável, são apoiadas agora atividades de aprendizagem e recreação nos centros de acomodação, para manter as crianças empenhadas na aprendizagem e apoiar a sua integração ou reintegração no ensino formal.
Aquela agência da ONU está também a coordenar com as autoridades governamentais e outros parceiros, para garantir que as escolas atualmente usadas como centros de acomodação – mais de 100, com 100 mil pessoas, chegaram a estar em funcionamento em janeiro, adiando por um mês o arranque das aulas – sejam desocupadas antes do início do ano letivo, além de prestar apoio às autoridades provinciais para limpeza e desinfeção das escolas, “particularmente as que foram usadas como centros de acomodação ou afetadas por cheias, lama ou águas estagnadas”.
“Fundos já foram desembolsados nas províncias de Gaza, Sofala e Manica e os conselhos escolares e jovens das comunidades afetadas estão a ser mobilizados”, acrescenta-se.
As medidas incluem ainda o uso de espaços temporários de aprendizagem construidos com materiais encontrados localmente e o fornecimento de ‘kits’ de aprendizagem, pedagógicos e recreativos para escolas danificadas e aquisição de materiais adicionais onde houver défice.
“Estão a ser organizadas aulas de recuperação e reforço nas áreas afetadas para apoiar as crianças que perderam tempo letivo essencial e estão em preparação ações para a fase de recuperação, incluindo a reabilitação resiliente de salas de aula e formação de professores em Saúde Mental e Apoio Psicossocial”, acrescenta-se no documento.
Segundo a Unicef, apesar destes esforços, “a escala e a abrangência geográfica das cheias têm exercido uma pressão significativa sobre a resposta educativa”, sendo o financiamento adicional e atempado “urgentemente necessário” para manter as intervenções em curso e evitar perdas prolongadas de aprendizagem para milhares de crianças.
“Conforme destacado na mais recente ‘Flash Update’, os níveis atuais de financiamento são insuficientes para responder às crescentes necessidades educativas, sobretudo no que diz respeito a espaços temporários de aprendizagem, materiais escolares e intervenções da fase de recuperação”, alerta.
Segundo aquela agência da ONU, sem apoio adicional, existe um risco real de atraso na reabertura das escolas, de salas superlotadas e de perdas duradouras de aprendizagem para as crianças afetadas pelas cheias.
A agência revelou já este mês precisar de 34 milhões de dólares (28,8 milhões de euros) para a ajudar as vítimas das cheias em Moçambique nos próximos seis meses.
“Fizemos um plano de seis meses de resposta para a situação em Gaza, Maputo e algumas zonas da província de Sofala, com uma estimativa de cerca de 34 milhões de dólares. Precisamos de financiamento para poder ter a habilidade de alcançar mais pessoas em termos de beneficiários”, disse à Lusa Cláudio Julaia, especialista de emergência da Unicef em Moçambique.
O especialista avançou ainda que a Unicef espera alcançar com apoio humanitário pelo menos 30 mil crianças nas próximas semanas.
As cheias de janeiro em Moçambique afetaram quase 725 mil pessoas, a maioria crianças, segundo a Unicef.
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By Impala News / Lusa