Transporte ferroviário em Moçambique duplica passageiros em três meses para 151 mil
O movimento na rede ferroviária em Moçambique praticamente duplicou no primeiro trimestre do ano, para 151.400 passageiros, recuperando dos efeitos das manifestações pós-eleitorais em 2025 e apesar dos efeitos das cheias, indica um relatório governamental.
De acordo com dados do Ministério dos Transportes e Logística, o plano para 2026 prevê o transporte total de quase 631 mil passageiros na rede ferroviária em Moçambique, sendo que o movimento do primeiro trimestre representou um aumento de 95% face aos 77.300 transportados de janeiro a março do ano passado.
“Este desempenho foi influenciado pela aquisição de mais quatro locomotivas para o transporte de passageiros e reposição das linhas vandalizadas e a duplicação da linha férrea de Ressano Garcia. Igualmente, o presente trimestre foi caracterizado por um ambiente socioeconómico relativamente harmonioso, facilitando maior frequência das automotoras e locomotivas”, lê-se no relatório de execução do primeiro trimestre.
Moçambique viveu entre outubro de 2024 e março de 2025 um período de forte agitação social e contestação ao processo eleitoral, com protestos, manifestações, destruição de património público e de empresas, incluindo a rede ferroviária, além de confrontos com a polícia que culminaram com mais de 400 mortos.
Já no transporte ferroviário de mercadorias, o documento indica que foram movimentadas neste período de três meses 3,6 milhões de toneladas de carga diversa, um aumento de 14,9% face a 2025 e quase 20% da meta para todo o ano.
Contudo, nos mesmos primeiros três meses do ano, a estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) registou prejuízos de 47 milhões de dólares (40,1 milhões de euros), resultantes de cargas não transportadas e da destruição de infraestruturas e equipamentos devido às cheias que afetaram, sobretudo, o sul do país.
“Trata-se de valores significativos que poderão comprometer os resultados previstos para 2026, caso não adotemos medidas eficazes. Recorde-se que em 2025 enfrentámos prejuízos decorrentes de atos de vandalização associados às manifestações pós-eleitorais”, disse o presidente do conselho de administração dos CFM, Agostinho Langa.
De janeiro a março, conforme refere o relatório trimestral de execução, o transporte rodoviário liderou no país, com uma estimativa oficial de 8,2 milhões de passageiros transportados, um aumento homólogo de 1,3%, enquanto o transporte aéreo cresceu 30%, para 140.430 passageiros, numa meta de praticamente 590 mil passageiros prevista pelo Governo para todo o ano de 2026.
Este desempenho corresponde, segundo o documento, a uma produção de 19,9 milhões de meticais (268 mil euros) no movimento ferroviário de passageiros e de 2.797 milhões de meticais (37,7 milhões de euros) no movimento ferroviário de carga no primeiro trimestre.
Já o movimento aéreo correspondeu a 654 milhões de meticais (8,8 milhões de euros) no transporte de passageiros e de 58,9 milhões de meticais (800 mil euros) de carga, no movimento rodoviário de sete milhões de meticais (95 mil euros) em passageiros e de 1.826 milhões de meticais (24,6 milhões de euros) de carga.
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By Impala News / Lusa