Sete em cada dez pessoas acreditam num mito médico e provavelmente é uma delas
Um estudo global de 2026 revelou que 70% das pessoas acreditam em pelo menos uma afirmação falsa sobre saúde. Conheça os sete mitos mais comuns e prepare-se para ser surpreendido.
Sete em cada dez pessoas acreditam em pelo menos um dos sete principais mitos sobre saúde. Independentemente do nível de escolaridade, da idade ou do estatuto social. É o que revela um relatório especial da Edelman publicado em 2026, baseado em respostas de mais de 16 mil pessoas em 16 países. A desinformação em saúde já não é um problema de grupos específicos. É um problema de todos.
Os 7 principais mitos sobre saúde
Quais são os mitos mais persistentes? E o que diz a ciência sobre cada um deles? Leia até ao fim, porque o próximo mito pode ser exatamente aquele em que sempre acreditou.
Mito 1: É preciso beber oito copos de água por dia
A regra dos “oito copos por dia” foi popularizada nos anos 40 nos Estados Unidos, sem qualquer base científica sólida por detrás. As necessidades hídricas variam de pessoa para pessoa, dependendo do peso, da atividade física, do clima e da dieta. O corpo tem um sistema de regulação próprio, a sede, que funciona como indicador fiável para a maioria das pessoas saudáveis. Segundo um estudo publicado no American Journal of Physiology, não existe evidência científica para a regra dos oito copos. Beba quando tiver sede. O corpo sabe o que precisa.
Mito 2: O açúcar causa hiperatividade nas crianças
Múltiplos estudos controlados, incluindo uma meta-análise publicada no Journal of the American Medical Association, concluíram que o açúcar não causa hiperatividade em crianças. O que acontece, na verdade, é um efeito de expectativa nos pais: quando acreditam que os filhos consumiram açúcar, tendem a classificar o seu comportamento como mais hiperativo, mesmo quando não comeram nada. O açúcar tem outros efeitos negativos comprovados na saúde, como o excesso de calorias vazias e o risco de cáries, mas a hiperatividade não é um deles.
Mito 3: Os antibióticos tratam a gripe
A gripe é causada por um vírus. Os antibióticos só combatem bactérias. Tomar antibióticos para a gripe não resolve nada e contribui para um dos maiores problemas de saúde global: a resistência antimicrobiana. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a resistência aos antibióticos é uma das dez maiores ameaças à saúde global. Em Portugal, o consumo excessivo e inadequado de antibióticos continua a ser um problema identificado pela DGS. Se tem gripe, repouso, hidratação e paracetamol são os melhores aliados. O antibiótico não.
Mito 4: Comer à noite engorda mais
O momento em que se come não determina, por si só, o aumento de peso. O que importa é o total de calorias consumidas ao longo do dia e o equilíbrio entre o que se ingere e o que se gasta. O corpo não tem um interruptor metabólico que se desliga a uma hora específica. O que acontece é que as refeições noturnas tendem a ser mais calóricas e menos controladas, e é isso, não a hora, que leva ao aumento de peso. Se jantar uma salada às 22h00, não vai engordar mais do que se a comer às 19h00.
Mito 5: Produtos ‘light’ ajudam a emagrecer
Um produto light tem, por lei, pelo menos 30% menos calorias ou gordura do que a versão original. Mas isso não significa que seja saudável, nem que ajude a perder peso. Muitos produtos light substituem a gordura por açúcar para manter o sabor, o que pode resultar num produto igualmente calórico. As pessoas tendem ainda a comer maiores quantidades de alimentos rotulados como “light”, justificando o excesso com a ideia de que “é permitido”. O resultado é consumirem mais calorias do que consumiriam com a versão original.
Mito 6: A vitamina C previne as constipações
Uma revisão sistemática da Cochrane Database, que analisou décadas de estudos sobre o tema, concluiu que a suplementação com vitamina C não previne as constipações na população geral. O que a vitamina C pode fazer, em alguns casos, é reduzir ligeiramente a duração dos sintomas, mas apenas em pessoas sujeitas a esforço físico intenso, como atletas de alta competição. Para o comum dos mortais, o efeito preventivo é praticamente nulo.
Mito 7: Gordura na alimentação é sempre má
Não é a gordura em si que prejudica a saúde. É o tipo de gordura. As gorduras insaturadas, presentes no azeite, no abacate, nos frutos secos e no peixe gordo, são essenciais para o organismo e estão associadas a menor risco cardiovascular. São as gorduras trans e saturadas em excesso que representam um problema real. A indústria alimentar aproveitou durante décadas a crença de que toda a gordura era má para inundar o mercado de produtos “sem gordura”, muitos deles repletos de açúcar para compensar o sabor.
Em quem podemos confiar
A desinformação em saúde prolifera porque toca em algo muito humano: o desejo de controlar o próprio corpo e a própria saúde. A resposta não é desconfiar de tudo, mas aprender a filtrar. Procure fontes com revisão científica independente, como a Cochrane, o NIH ou a OMS. Desconfie de conselhos milagrosos e de regras absolutas. Se ouviu uma “dica de saúde” nas redes sociais, há uma probabilidade de 70% de ser falsa.