Saída da Venezuela da OEA dependerá do sucessor de Nicolás Maduro — EUA

Os Estados Unidos de América expressaram preocupação pela decisão da Venezuela de iniciar o processo para sair da Organização de Estados Americanos, sublinhando, no entanto, que isso dependerá do sucessor do Presidente Nicolás Maduro.

Saída da Venezuela da OEA dependerá do sucessor de Nicolás Maduro -- EUA

Caracas, 27 abr (Lusa) – Os Estados Unidos de América (EUA) expressaram hoje preocupação pela decisão da Venezuela de iniciar o processo para sair da Organização de Estados Americanos (OEA), sublinhando, no entanto, que isso dependerá do sucessor do Presidente Nicolás Maduro.


“A declaração que fez a ministra de Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, não tem um efeito real imediato, nem prático, porque retirar-se da OEA pode demorar até dois anos”, disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.


Durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, Mark Toner, sublinhou que o anúncio causou preocupação nos EUA, porque “a OEA pode ter uma influência construtiva na Venezuela, em (Nicolás) Maduro, no Governo venezuelano, no sentido de os instar a respeitar rapidamente a sua própria Constituição e a cumprir com os seus compromissos democráticos para com todo o seu povo”.


“Isso não é algo que ocorrerá da noite para a manhã, assim que ainda acreditamos que é possível influir sobre essa decisão (…). Isso se estenderá até depois do final do mandado do Presidente (Nicolás) Maduro e a decisão só poderá converter-se em definitiva se assim o decidir o seu sucessor”, frisou.


Por outro lado, sublinhou que os EUA pretendem que a Venezuela continue a fazer parte daquele organismo, mas só se o país cumprir com as normas da OEA, refletidas na Carta fundacional da OEA e na Carta Democrática Inter-americana, entre elas “o respeito pelas normas e práticas democráticas”.


As declarações do porta-voz do Departamento de Estado têm lugar depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar, hoje, que “a Venezuela é um desastre” e que falta ver “o que acontece” após o anúncio de Caracas de que vai abandonar a Organização dos Estados Americanos (OEA).


“A Venezuela é um desastre, a Venezuela é um desastre”, disse Trump quando lhe perguntaram o que pensava sobre a decisão do Governo venezuelano, no início de uma reunião na Casa Branca com o Presidente da Argentina, Mauricio Macri.


Trump insistiu que a situação da Venezuela é “muito triste” e disse que se vai ver “o que acontece” a partir de agora, sem entrar em pormenores sobre o anúncio relativo à OEA.


A ministra venezuelana de Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, anunciou quarta-feira que a Venezuela iniciará a sua saída oficial da OEA.


“Iniciaremos um procedimento que demora 24 meses (…). a Venezuela não participará em nenhuma atividade em que se pretenda posicionar o intervencionismo e o ingerencismo de um grupo de países que só buscam perturbar a estabilidade e a paz do nosso país”, disse a governante.


O anúncio da retirada da Venezuela foi feito numa alocução transmitida pela televisão estatal venezuelana, depois de a OEA aprovar a convocação de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros para analisar a crise política na Venezuela.


Segundo a ministra, há um grupo de países da OEA que pretendem prejudicar o Presidente Nicolás Maduro e a revolução bolivariana.


“São ações dirigidas por um grupo de países mercenários da política para restringir o direito ao futuro, do povo da Venezuela, o direito a viver tranquilamente”, frisou.


Por outro lado, através do Twitter, o Presidente da Venezuela considerou ter dado um “passo gigante para romper com o intervencionismo imperial” ao ordenar, quarta-feira, a saída do país da OEA.


“Dia da Dignidade da Independência. Dei um passo gigante para romper com o intervencionismo imperial”, escreveu Nicolás Maduro no Twitter.


Por outro lado, pediu a compreensão e solidariedade dos povos da América Latina e do mundo “para derrotar o plano intervencionista contra a Venezuela”.



FPG // ARA

By Impala News / Lusa

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