Ruben Rua Afastado da TVI há um ano, faz crítica: “Será que queremos ter três novelas?”

Ruben Rua esteve presente num podcast e acabou por abordar a situação da televisão atual, destacando que o cenário tem de mudar urgentemente…

Ruben Rua Afastado da TVI há um ano, faz crítica:

Ruben Rua está há precisamente um ano afastado do pequeno ecrã. O modelo e apresentador, que durante muitos anos foi o ‘menino bonito’ de Cristina Ferreira, esteve no podcast Promenade Presents e acabou por fazer algumas considerações sobre a televisão atual.

“Eu acho que a televisão tem um problema de timing, ou seja, as pessoas trabalham para a audiência de hoje que sai amanhã. E há uma pressão gigante com os números”, começou por destacar.

Considera ainda que a inovação não acontece precisamente por estar refém das audiências. “Acho que muitos diretores, ainda que tenham às vezes vontade em inovar e trazer algo mais novo, ou mais dinâmico, ou mais out of the box, sentem-se receosos porque amanhã vão ver os números de hoje”, acrescentou.

Acredita que esta cautela estratégica faz com as grelhas televisivas sejam orientadas para públicos mais envelhecidos: “Preferem às vezes trabalhar para um público mais envelhecido, com conteúdos que estão altamente viciados, do que se calhar pensarmos em fazer coisas de forma diferente”.

Ruben Rua e o futuro da televisão

Ruben Rua criticou ainda o excesso de ficção e a forma como os canais preenchem horários sem critério, questionando a lógica de “encher chouriços” em vez de apostar na qualidade: “Será que temos que ter três novelas? E se tivéssemos se calhar só uma…”. Como exemplo de sucesso, destacou a rádio, que soube reinventar-se mesmo com a chegada do streaming: “A rádio reinventou-se e está forte e está viva”, afirmou.

Não duvida de que se não foram dados passos decisivos e inovadores, a televisão tem os dias contados. “A televisão ainda não percebeu como é que se pode transformar para perdurar. E a grande parte do público que vê a televisão hoje, daqui a 20 anos, já não existe. Daqui a 10 anos, grande parte, já não existe”.

Não duvida de que seguri a atual estratégia, será um ‘tiro nos pés’ a longo-prazo. “Portanto, temos duas opções: ou arriscamos e transformamos e podemos sobreviver, ou ficamos onde estamos, ganhamos hoje, mas amanhã já não vamos estar cá”.

Texto: Tomás Cascão; Fotos: Arquivo Impala & Redes sociais

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