Reservas angolanas caem mais de mil milhões de euros só em janeiro

As reservas internacionais angolanas caíram mais de mil milhões de euros só no mês de janeiro, o valor mais baixo em pelo menos seis anos, depois da redução de 2.650 milhões de euros em todo o ano de 2016.

Reservas angolanas caem mais de mil milhões de euros só em janeiro

Luanda, 28 fev (Lusa) – As reservas internacionais angolanas caíram mais de mil milhões de euros só no mês de janeiro, o valor mais baixo em pelo menos seis anos, depois da redução de 2.650 milhões de euros em todo o ano de 2016.


De acordo com dados preliminares do Banco Nacional de Angola (BNA) a que a Lusa teve hoje acesso, as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) ascendiam a 31 de janeiro de 2017 a 20.310 milhões de dólares (19.176 milhões de euros) contra os 21.399 milhões de dólares (20.204 milhões de euros) a 31 de dezembro de 2016.


Numa altura em que permanecem as dificuldades financeiras, económicas e cambias no país, as reservas angolanas perderam no espaço de um mês 1.089 milhões de dólares (1.027 milhões de euros), ao mesmo tempo que o BNA aumentou fortemente a venda de divisas (euros) à banca comercial angolana, que estão sem acesso a dólares face à suspensão das ligações com correspondentes bancários internacionais.


No final de 2015, as RIL angolanas, necessárias por exemplo à importação de alimentos, matéria-prima e maquinaria, ascendiam a 24.266 milhões de dólares (22.905 milhões de euros).


Angola vive desde finais de 2014 uma crise financeira, económica e cambial, decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo.


O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou este mês uma revisão da legislação cambial e do sistema bancário nacional, para regular o movimento de moeda externa.


“Depois de alguma reflexão, concluímos que precisamos de executar um programa integrado para orientar todas as instituições que intervêm no processo das exportações. Assim, precisamos de adequar a legislação cambial, adequar o sistema bancário, pois não há legislação suficiente sobre a movimentação de dinheiro em moeda externa, por parte das empresas e dos particulares em geral”, disse José Eduardo dos Santos, que é também chefe do Governo.


Desde agosto que o banco central – que atualmente é o único fornecedor de divisas à banca comercial – tem vindo a aumentar a injeção de moeda estrangeira no mercado cambial primário, a um ritmo já superior a 1.000 milhões de euros por mês.


As reservas atuais garantem o equivalente a cerca de oito meses de importações de alimentos, bens e equipamentos, tendo em conta as necessidades atuais, numa altura de forte contenção na disponibilização de divisas aos bancos.


As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo.



PVJ // JPS

By Impala News / Lusa

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