Rei Carlos abre as portas da realeza ao regresso de Harry
O príncipe Harry vai regressar ao Reino Unido em julho com Meghan Markle e os filhos Archie e Lilibet, pela primeira vez em mais de quatro anos como família. O rei Carlos III vai disponibilizar uma residência real, mas um encontro presencial entre pai e filho ainda não está confirmado.
O regresso do príncipe Harry ao Reino Unido está marcado para julho, mas a esperada reconciliação com o rei Carlos III continua envolta em incerteza. O Duque de Sussex deverá viajar para Birmingham para participar num evento que assinala a contagem decrescente de um ano para os Jogos Invictus de 2027, o torneio para veteranos feridos que ele próprio criou em 2013. Segundo fontes próximas citadas pelo The Telegraph, Harry pretende aproveitar a ocasião para dar mais um passo no processo de reconciliação com o pai.
“Harry disse que regressará antes do final do ano com os filhos, com a intenção expressa de se reconciliar com o pai. A forma como o disse parece deixar claro que acredita que isto está a acontecer e abrirá caminho para um relacionamento pacífico e duradouro entre ambos”, afirmou a fonte ao jornal britânico.
Carlos III oferece residência e segurança
O rei Carlos III vai disponibilizar uma residência real para a família durante a estadia e vai tomar várias medidas de segurança para garantir a proteção de Harry, Meghan e dos dois filhos do casal, Archie, de sete anos, e Lilibet, de cinco. A questão da segurança tem sido, há anos, um dos principais obstáculos às visitas de Harry ao Reino Unido. Depois da decisão do Supremo Tribunal britânico que retirou a Harry o direito automático a proteção policial armada, o Duque de Sussex chegou a afirmar, em entrevista à BBC, que não se sentia em condições de levar a família ao país por não conseguir garantir a sua segurança.
Segundo a IBTimes UK, embora a proteção policial armada não tenha sido permanentemente restaurada ao nível pré-2020, Harry recebeu garantias de que estarão em vigor medidas de segurança adequadas especificamente para esta viagem.
Um encontro ainda por confirmar
Apesar do otimismo de algumas fontes, a IBTimes UK revela um dado que esfria as expectativas: a agenda preenchida do rei Carlos III pode impedir qualquer encontro presencial com Harry durante a visita. Segundo fontes próximas do Palácio, não há atualmente qualquer encontro agendado entre Harry e o pai, nem entre Harry e o príncipe William. A sobreposição de compromissos e a tensão persistente continuam, segundo estas fontes, a dificultar uma aproximação significativa.
A Newsweek mostra-se mais otimista. Ao contrário dos anteriores eventos “One Year to Go” dos Jogos Invictus, que se limitavam a um único dia de compromissos, este ano o evento será mais longo, o que pode dar a pai e filho mais tempo para encontrarem uma janela de agenda comum. “Penso que vão ter um encontro presencial”, afirmou um especialista em realeza citado pela revista norte-americana, acrescentando acreditar que a reconciliação “vai acontecer”, ainda que de forma gradual.
Um processo lento e instável
Este não é o primeiro sinal de aproximação entre Harry e o pai. Em setembro do ano passado, os dois reuniram-se em Clarence House, em Londres, no primeiro encontro em 19 meses. O momento foi visto como um primeiro passo para a reconciliação, mas a relação continuou marcada por avanços e recuos. Harry chegou a acusar fontes ligadas à família real de tentarem sabotar o processo de reaproximação, numa polémica que reacendeu as tensões pouco depois do encontro em Clarence House.
A relação entre Harry e o resto da família real britânica está fragilizada há quase dez anos, desde que a chegada de Meghan Markle à vida real gerou tensões sobre o apoio que a família deveria ter prestado à então atriz norte-americana. O afastamento culminou na saída do casal das funções reais em 2020 e na mudança para a Califórnia.
As polémicas que continuam a marcar Harry
O regresso de Harry ao Reino Unido acontece num momento em que o príncipe continua a gerar controvérsia fora do contexto familiar. Harry foi recentemente acusado de assédio por uma dirigente de uma ONG em África, e causou polémica depois de um comunicado público de ataque a 540 indivíduos. Mais recentemente, mensagens ousadas a uma jornalista também deram que falar.
Comentadores britânicos têm questionado as verdadeiras motivações por detrás do esforço de reconciliação de Harry. Alguns sugerem que a popularidade de Meghan Markle está a cair nos Estados Unidos e que o casal poderá estar interessado em recuperar visibilidade e estatuto através da reaproximação com a Coroa britânica.
As crianças e o avô que não veem há anos
Um dos aspetos mais comentados desta visita é a possibilidade de Archie e Lilibet voltarem a ver o avô. As crianças não veem o rei Carlos III desde junho de 2022, quando estiveram pela última vez no Reino Unido para as celebrações do Jubileu de Platina da rainha Isabel II. Foi também a única vez que o monarca esteve com a neta mais nova, Lilibet.
Apesar de Harry estar, segundo fontes próximas, em condições de comunicar com o pai, a relação com outros membros sénior da família real, nomeadamente o príncipe William, mantém-se tensa. A visita de julho será, assim, mais um teste à possibilidade real de uma reconciliação duradoura, num processo que continua a avançar com mais incerteza do que certezas.