A verdade sobre o ‘caso Prestianni’: Entre o insulto e a desinformação
Investigámos o polémico caso entre Gianluca Prestianni e Vinicius Jr. Conheça a cronologia dos factos, o que diz a UEFA e a verdade sobre as notícias falsas.
O futebol europeu foi recentemente abalado por uma onda de choque após o encontro entre Benfica e Real Madrid, a contar para o play-off da Liga dos Campeões. No centro do furacão estão Gianluca Prestianni e Vinicius Jr, num episódio que mistura acusações graves de racismo, protocolos da UEFA e uma vaga de desinformação nas redes sociais.
A polémica sobre o ‘caso Prestianni’: O que aconteceu na luz
Tudo começou no relvado do Estádio da Luz. Durante uma fase de maior tensão no jogo, as câmaras captaram o jovem argentino do Benfica, Prestianni, a dirigir-se a Vinicius Jr com a camisola a tapar a boca – gesto que, por si só, levantou suspeitas imediatas.
17 de fevereiro: Vinicius Jr condena publicamente os alegados insultos, alegando ter sido chamado de “mono” (macaco) cinco vezes. O jogo chegou a ser interrompido pelo árbitro Letexier, ativando o protocolo anti-racismo.
18 de fevereiro: Prestianni recorre às redes sociais para negar categoricamente o insulto racista. Surge, no entanto, uma versão contraditória onde o jogador teria admitido um insulto de cariz homofóbico (“maricón”) para se defender da acusação de racismo.
19 de fevereiro: O Benfica sai em defesa do seu jogador, apresentando imagens que, segundo o clube, provam que os jogadores do Real Madrid não poderiam ter ouvido o que alegaram.
Fact-check: As sanções milionárias e a suspensão de Rui Costa
Circula nas redes sociais uma publicação, atribuída falsamente à ESPN FC, afirmando que Prestianni admitiu o insulto homofóbico à FIFA e que enfrentaria uma multa entre 500 mil a 1 milhão de euros, além da suspensão do presidente Rui Costa.
Esta informação é falsa. Embora o Artigo 14 do Regulamento Disciplinar da UEFA preveja, de facto, uma suspensão mínima de 10 jogos para condutas discriminatórias, os valores das multas mencionados são fictícios. Da mesma forma, não existe qualquer base regulamentar para a suspensão automática de um presidente de clube por um incidente isolado entre jogadores no relvado.
Casos semelhantes e o peso da Justiça
O caso de Vinicius Jr não é isolado. O craque brasileiro tem sido o rosto da luta contra a discriminação na Europa. Assinale-se, por exemplo, o caso dos adeptos do Valência, condenados a penas de prisão por insultos racistas ou o episódio de Marega em Portugal, que marcou um antes e um depois na justiça desportiva nacional.
A UEFA já nomeou um Inspetor de Ética e Disciplina para investigar o sucedido na Luz. Caso se confirmem as ofensas, as sanções serão severas, mas aplicadas dentro dos trâmites legais e não baseadas em rumores de internet.