Presidenciais: Projeções apontam para quebra na abstenção face a 2021
As primeiras projeções das televisões para as eleições presidenciais de 2026 indicam uma taxa de abstenção entre os 35,6% e os 43%. A confirmarem-se estes valores, Portugal assiste a uma mobilização significativamente superior à registada no último sufrágio.
As primeiras projeções das televisões para as eleições presidenciais de 2026 indicam uma taxa de abstenção entre os 35,6% e os 43%. A confirmarem-se estes valores, Portugal assiste a uma mobilização significativamente superior à registada no último sufrágio.
O país foi hoje às urnas para escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa e, ao contrário do cenário verificado há cinco anos, os portugueses parecem ter respondido de forma mais afirmativa ao apelo do voto. Segundo as projeções de RTP, SIC e CNN divulgadas às 19h00, o nível de abstenção deverá fixar-se num intervalo entre os 35,6% e os 43%.
Estes números representam um fôlego para a democracia portuguesa, distanciando-se do recorde negativo de 2021, em que a abstenção atingiu os 60,5%, influenciada fortemente pelo contexto de pandemia e pelo confinamento geral que o país atravessava na altura.
O histórico da abstenção nas presidenciais: Do entusiasmo de Abril ao alerta democrático
Olhando para o passado, desde as primeiras eleições presidenciais livres após o 25 de Abril de 1974, a participação eleitoral em Portugal desenhou uma curva descendente, com alguns picos de interesse motivados por duelos políticos mais acesos.
O auge da participação (1976 – 1986)
As primeiras eleições, que levaram Ramalho Eanes a Belém em 1976, registaram uma das abstenções mais baixas: 24,5%. O recorde histórico de participação aconteceu em 1986, na segunda volta do confronto entre Mário Soares e Freitas do Amaral, onde apenas 22% dos eleitores ficaram em casa.
A instalação da indiferença (1991 – 2011)
Com o passar das décadas, o fosso entre eleitores e urnas cresceu. Em 1991, na reeleição de Soares, a abstenção saltou para os 37,8%. Em 2001, na reeleição de Jorge Sampaio, o país ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 50% de abstenção (50,3%). O fenómeno repetiu-se em 2011, com Cavaco Silva, atingindo os 53,5%.
A ligeira recuperação e o choque de 2021
Em 2016, na primeira vitória de Marcelo Rebelo de Sousa, registou-se uma ligeira melhoria (51,3% de abstenção), mas foi em 2021 que se acendeu o sinal vermelho: 60,5% de abstenção, o valor mais alto de sempre em presidenciais, justificado em parte pelo medo do contágio por COVID-19.
Análise dos dados de hoje
Se as projeções de hoje se confirmarem perto do limite mínimo (35,6%), Portugal regressa a níveis de participação que não via desde o início da década de 90. Mesmo que o valor se fixe nos 43%, a descida de quase 20 pontos percentuais face a 2021 é lida por analistas como um sinal de que a polarização e a diversidade de candidatos (11 no total) conseguiram mobilizar franjas do eleitorado que estavam afastadas da política institucional.
O País aguarda agora o apuramento total para perceber se esta maior afluência será suficiente para decidir a eleição ainda esta noite ou se os portugueses serão chamados novamente às urnas para uma segunda volta, no início de fevereiro.