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Petróleo e gás natural disparam: Brent ultrapassa hoje os 100 dólares

Preço do petróleo Brent supera 100 dólares e gás natural sobe 8,6% após falha em negociações com Irão. Saiba o impacto na economia.

Petróleo e gás natural disparam: Brent ultrapassa hoje os 100 dólares

A instabilidade nos mercados energéticos globais atingiu um novo pico nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026. O preço do petróleo Brent, a referência para o mercado europeu, voltou a ultrapassar a barreira psicológica dos 100 dólares por barril. Simultaneamente, o gás natural registou uma subida superior a 8% no mercado holandês TTF, o principal balizador da Europa.

Falha nas negociações internacionais precipita escalada

A subida abrupta de hoje é uma resposta direta ao fracasso das negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irão. O encontro, que teve lugar no Paquistão durante o fim de semana, terminou sem qualquer acordo de cessar-fogo ou estabilização.

A situação agravou-se com o anúncio de Washington sobre o bloqueio de embarcações no Estreito de Ormuz, uma das artérias mais vitais para o trânsito global de crude e gás liquefeito. “Os preços do gás e do petróleo voltaram a subir após o fim das negociações entre os EUA e o Irão no Paquistão, que terminaram sem acordo neste fim de semana”, refere a Agência Lusa.

Números do mercado em tempo real

A volatilidade dominou as primeiras horas de negociação desta manhã.

  • • O petróleo Brent subiu 7,51%, fixando-se nos 102,25 dólares por volta das 06:00 (hora de Lisboa).
  • • Durante a madrugada, o Brent chegou a atingir um máximo de 103,87 dólares.
  • • O gás natural para entrega a um mês no mercado TTF avançou 8,60%, situando-se nos 47,66 euros por megawatt-hora (MWh).
  • • Na abertura dos mercados, o gás chegou a tocar os 49,52 euros por MWh.

“Os preços não deverão regressar à normalidade no futuro próximo” (Dan Jørgensen)

Impacto na Economia europeia e portuguesa

A União Europeia já emitiu alertas sobre a permanência destes preços elevados. Dan Jørgensen, comissário da Energia da UE, afirmou recentemente que, mesmo perante uma eventual paz, os preços não deverão regressar à normalidade no futuro próximo. Há uma pressão crescente sobre o abastecimento de gasóleo e combustível para a aviação em todo o bloco.

Em Portugal, embora o país mantenha uma quota superior a 80% de eletricidade proveniente de fontes renováveis, a exposição aos mercados internacionais de fósseis continua a pressionar a inflação. Bruxelas estima que, caso estas disrupções se prolonguem, o crescimento económico poderá recuar até 0,6 pontos percentuais, com a inflação a sofrer um agravamento entre 1,1 e 1,5 pontos.

Medidas de proteção ao consumidor

Para mitigar o impacto nas famílias e empresas, estão em análise várias frentes.

  • • Mecanismos europeus de salvaguarda que são ativados caso o preço do gás registe subidas superiores a 70%.
  • • Possibilidade de aplicação de impostos sobre lucros extraordinários das empresas energéticas (windfall tax).
  • • Manutenção de descontos fiscais no ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos), que em 2025 custaram mais de 600 milhões de euros ao Estado português.
  • • Recomendações da Agência Internacional da Energia para a redução de velocidades nas autoestradas e promoção de transportes públicos.

Perspetivas de curto prazo

O mercado permanece em alerta máximo. A ausência de um corredor seguro no Médio Oriente e a retoma de tensões militares entre outras potências regionais impedem qualquer correção em baixa. Na semana passada, o gás tinha chegado a cair 19% devido à esperança de um acordo, mas essa descida foi agora totalmente anulada pela nova realidade geopolítica.

Portugal, apesar de geograficamente distante do conflito e com fornecedores diversificados, não é imune ao contágio de preços do mercado ibérico e europeu, onde o custo do gás natural define, muitas vezes, o preço final da eletricidade.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

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