Portugal vê Moçambique bem posicionado para a transição energética

A Agência para o Clima portuguesa reconheceu hoje que Moçambique reúne condições favoráveis à transição energética, apesar do desafio na mobilização de financiamento, sublinhando que a experiência portuguesa demonstra que este percurso “é possível”.

Portugal vê Moçambique bem posicionado para a transição energética

“Enquanto parte do Ministério do Ambiente, aquilo que posso ver é que Moçambique, neste momento, é bem posicionado e com um conjunto de projetos em `pipeline´ que obviamente têm de assegurar aquilo que é o financiamento da parte da comunidade internacional, mas, comparativamente, está no mesmo em que Portugal também já esteve”, disse, em entrevista à Lusa, em Maputo, Catarina Sousa, diretora do Departamento de Assuntos Europeus e Internacionais da Agência para o Clima.

Falando à margem da 5.ª Conferência Empresarial Renováveis de Moçambique (RENMOZ 2026), que reúne, desde quinta-feira, representantes do setor da energia, incluido portugueses e da União Europeia, para debater oportunidades de investimento no setor energético do país, Catarina Sousa disse que Portugal começa agora a apresentar resultados no processo de transição para energias limpas, podendo servir de exemplo ao país africano na partilha de experiência e conhecimento, “porque já fez esse caminho”, apesar dos desafios no financiamento de grandes projetos energéticos.

“Neste momento temos capacidade técnica e resultados efetivos que permitem, no fundo, mostrar a Moçambique que é possível”, declarou.

Catarina Sousa deu o exemplo de Portugal para ilustrar como a aposta nas energias renováveis pode reforçar a autonomia energética, sobretudo em contextos internacionais de instabilidade.

Referindo-se ao impacto recente de conflitos globais, como a guerra no Médio Oriente, considerou que estas situações evidenciam a importância de reduzir a dependência externa.

No caso português, explicou, a produção de energia a partir de fontes como a hídrica e a solar permitiu ao país enfrentar esses momentos com maior capacidade de resposta, garantindo algumas “salvaguardas” face à volatilidade externa.

Acrescentou que esta evolução, aliada à capacidade técnica desenvolvida, contribui também para a forma como Portugal é hoje percecionado internacionalmente.

“Temos energia renovável hídrica, solar, e isso permite-nos também sermos vistos de outra forma no mundo”, disse, defendendo que Moçambique pode retirar ensinamentos desse percurso e adaptá-los à sua realidade.

Para Catarina Sousa, entre as vantagens de Moçambique estão as suas “características muito próprias”, que incluem bacias transfronteiriças e os canais verdes, aliadas ao facto de o país já estar a dar passos concretos para a materialização dos projetos para a transição energética.

“A maior dificuldade seria se Moçambique não tivesse identificado aquilo que são as suas necessidades, quais são os projetos que quer efetivamente executar para poder fazer, no fundo, o percurso da transição energética”, disse, sublinhando essa como a parte mais difícil no processo.

A diretora apontou também a mobilização de financiamento como um dos principais desafios que Moçambique poderá enfrentar: “Tendo em conta o percurso que se fez em termos políticos, de olhar para o futuro e investir, parece-me que a parte do investimento será talvez o maior desafio, mas de certeza que será ultrapassado”.

A RENMOZ promoveu em dois dias encontros empresariais e apresentações dedicados ao desenvolvimento do setor da energia, com destaque para as energias renováveis, financiamento, mini-redes, programas de acesso à energia e oportunidades de investimento em Moçambique.

LCE // MLL

By Impala News / Lusa

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