Portugal Este ator é o primeiro português a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno

Diogo Carmona, que perdeu parte da perna num acidente ferroviário, é o primeiro português a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno

Portugal Este ator é o primeiro português a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno

Diogo Carmona tem 28 anos e prepara-se para se tornar no primeiro português a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026. A confirmação de que irá representar Portugal em Itália chegou no passado dia 16 de fevereiro e, apesar de achar que o desfecho pudesse ser este, o atleta descreve o momento como “muito emocionante”. “Fiquei incrédulo, apesar de já saber que havia fortes probabilidades disto acontecer. Fiquei muito feliz”.

Um feito histórico com um peso acrescido: “O sentimento que eu tenho é de orgulho, de honra, mas, acima de tudo, de uma responsabilidade muito grande. Creio que isto seja um passo também para as pessoas e a população em geral valorizar mais e estar mais atento aos desportos paralímpicos, porque são tão ou mais difíceis do que os outros desportos”. A participação com as cores da bandeira de Portugal torna-se ainda mais motivadora: “Eu amo o meu país e vou estar a representar não só Portugal, como todos os portugueses. Isso é bastante motivador.” 

Depois de perder parte da perna num acidente ferroviário em 2019, Diogo focou-se no desporto e foi com o skate que voltou a sentir-se vivo e em liberdade. O snowboard chegou à sua vida mais recentemente: “Estou focado há três anos e é uma transição um pouco invulgar. Passar do skate para o snowboard tem as suas parecenças, mas são desportos diferentes e, portanto, fazer esta transição é um desafio. Tentar levar o meu conhecimento do skate para o snowboard creio que é mais uma conquista”, refere, acrescentando que o objetivo que leva para esta competição é “obter o melhor resultado possível”: ”Não consigo fazer nenhuma previsão de em que posição é que ficarei. No entanto, estou a dar o meu melhor. Tenho dado o meu melhor e é isso que eu prometo, dar o meu melhor.”

A promessa chega da parte de alguém que há menos de um ano sofreu uma fratura do perónio, que exigiu cirurgia e uma exigente recuperação. No entanto, para Diogo Carmona não há impossíveis, ele que pretende continuar a ser um exemplo: “Quero inspirar as pessoas e quebrar alguns estigmas relativamente à minha idade, à minha experiência de vida e, acima de tudo, às deficiências.”

Resiliente, corajoso, merecedor, guerreiro, vitorioso são alguns dos elogios que lhe têm sido feitos nos últimos dias: “Fico de coração cheio, mas acima de tudo também percebo que a minha missão está a ser cumprida porque é exatamente isso que eu quero demonstrar às pessoas. Eu sou feito desse material há muitos anos e é preciso ser uma pessoa atenciosa também para conseguir ver isso e portanto identifico-me [com os elogios] e fico de coração cheio, sem dúvida.”

A participação nos Paralímpicos será dedicada a quem tem estado ao seu lado, nos bons e nos maus momentos: “Às pessoas que acreditaram em mim desde o primeiro dia, aos meus fãs, aos meus amigos, à minha família e, acima de tudo, ao meu treinador”, revela. 

Com esta “viragem” para o mundo do snowboard, quisemos saber em que lugar fica agora o skate e se colocou um ponto final na representação: “Não, não coloquei um ponto final nesse assunto, não coloquei de todo. Esteve em stand-by até agora e talvez quando voltar seja o momento de voltar a insistir nessa parte da minha vida. Quanto ao skate, nunca estará em stand-by. O skate é algo que me acompanha há muito tempo.”

A seguir à competição em Itália, Diogo Carmona conta que há mais projetos para pôr a andar: “Tenho várias palestras para dar. É algo a que vou dedicar cada vez mais tempo e tenho tido muitos pedidos para falar para grandes audiências pelo país todo. Vou focar-me nisso e também redefinir alguns objetivos profissionais e pessoais. Mas acima de tudo quero agarrar esta oportunidade que estou a ter neste momento e focar-me ainda mais no snowboard”. E promete que vai continuar a surpreender os portugueses? “É uma excelente pergunta. Eu diria que sim, eu diria que há mais de onde isto veio, sem dúvida”, conclui.

Texto: NEUZA GOMES; Fotos: D.R. e IMPALA 

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