Irão garante medidas imediatas e proporcionais caso Trump concretize ameaças
O representante iraniano junto das Nações Unidas (ONU) garantiu hoje que Teerão tomará medidas imediatas e proporcionais caso
Nações Unidas, 07 abr 2026 (Lusa) – O representante iraniano junto das Nações Unidas (ONU) garantiu hoje que Teerão tomará medidas imediatas e proporcionais caso o Presidente norte-americano, Donald Trump, concretize as ameaças de ataque.
Amir Saeid Iravani afirmou hoje, perante o Conselho de Segurança da ONU, que Teerão não ficará de braços cruzados caso Trump leve adiante as ameaças de “crimes de guerra”.
Iravani afirmou que as ameaças feitas hoje por Donald Trump, de que “toda uma civilização morrerá” se o Irão não chegar a um acordo, “constituem incitamento a crimes de guerra e potencialmente a genocídio”.
Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais.
“O Irão não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão hediondos. Exercerá, sem hesitação, o seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, afirmou.
Em causa estão as recentes declarações do Presidente norte-americano, que ameaçou que “uma civilização inteira morrerá esta noite” se o regime iraniano não reabrir o Estreito de Ormuz.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar”, disse numa mensagem publicada nas redes sociais, referindo que as próximas horas vão testemunhar “um dos momentos mais importantes” da História mundial.
“Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, afirmou Trump.
O Presidente norte-americano fez ao Irão um ultimato para que o regime islâmico volte a deixar passar todos os petroleiros no Estreito de Ormuz até às 20:00 de hoje em Washington (01:00 de quarta-feira em Lisboa).
O diplomata iraniano classificou as palavras de Trump como “profundamente irresponsáveis”.
“Hoje, o Presidente dos Estados Unidos usou uma linguagem que não foi apenas profundamente irresponsável, mas totalmente alarmante”, disse Iravani.
“É lamentável que, diante de toda a comunidade internacional, o Presidente dos Estados Unidos esteja a ameaçar descaradamente e sem pudor destruir toda a infraestrutura do Irão, incluindo pontes, centrais e instalações de energia, emitindo um ultimato e revelando abertamente a sua intenção de cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, acrescentou.
Amir Saeid Iravani rejeitou categoricamente um cessar-fogo temporário, afirmando que qualquer acordo deve “garantir o fim permanente da agressão” com “mecanismos credíveis e verificáveis”.
O embaixador aproveitou ainda para criticar um projeto de resolução apresentado pelo Bahrein – que visava obrigar o Irão a reabrir o Estreito de Ormuz, mas que acabou vetado pela China e pela Rússia -, considerando-o “desequilibrado e desestabilizador”.
Iravani acusou Washington de estar por trás do texto e agradeceu à China e à Rússia por terem usado o seu poder de veto, afirmando que impediram que o Conselho de ser “instrumentalizado”.
O representante iraniano afirmou ainda que o seu país respeita a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, embora tenha observado que “a atual situação de segurança levou à adoção de medidas para impedir que agressores e seus aliados o utilizem para fins hostis”.
Aproximadamente 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, tornando esta rota uma artéria fundamental para o comércio global de energia, o que explica a crescente preocupação internacional com qualquer ameaça à liberdade de navegação.
O embaixador também afirmou que o Irão procurou resolver o conflito por meios diplomáticos e negou que o seu programa nuclear tenha fins militares, declarando que foi submetido a inspeções rigorosas e que “nunca existiram evidências de desenvolvimento de armas”.
O representante de Teerão também denunciou que, nas últimas semanas, continuaram os ataques contra a infraestrutura civil iraniana, incluindo escolas e hospitais, e reiterou que o seu país está “disposto a dialogar para alcançar uma solução duradoura”.
Os Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão.
Teerão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o Estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo.
MYMM // PSC
By Impala News / Lusa