Antigos Presidentes moçambicanos pedem esforços coletivos para o desenvolvimento
Os antigos Presidentes moçambicanos consideraram hoje serem necessários sacrifícios coletivos e a partilha de experiência com os jovens sobre as memórias dos que libertaram Moçambique, como caminho para desenvolver o país.
“Não celebramos, hoje apenas a morte do presidente Mondlane, celebramos a vida dele, sobretudo, celebramos os legados que ele nos deixou e também celebramos a memória de todos os heróis que participaram na luta pela libertação nacional”, declarou aos jornalistas o antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano (1986-2005), nas celebrações de 03 de fevereiro, dia dos Heróis.
Segundo o estadista, o dia serve para reconhecer todos os heróis, recordando o esforço dos moçambicanos para o desenvolvimento, lembrando ainda ser necessário sacrifícios quando o país é confrontado pelas inundações.
“Não é dia de fazer o balanço desse desenvolvimento, mas não podemos esquecer que se passam sacrifícios, mesmo agora, para o desenvolvimento de Moçambique, para tudo o que nós vemos”, frisou o antigo Presidente, pedindo apoio para as vítimas das inundações.
“Isso significa sacrifícios de muitos, e agora estamos com esses sacrifícios de amparar os nossos concidadãos que estão sofrendo por causa das inundações, por causa das chuvas. E é dia de apelar para que esse apoio seja contínuo”, acrescentou Joaquim Chissano.
O Estado moçambicano consagrou o dia 03 de fevereiro como Dia dos Heróis em homenagem ao fundador da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Eduardo Mondlane, assassinado nesta data em 1969, quando uma bomba escondida num livro que tinha nas mãos explodiu.
A morte de Eduardo Mondlane foi considerada um atentado atribuído à extinta Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), entidade do regime colonial português, contra o qual a Frelimo lutou por 10 anos até à independência, em 1975.
Na ocasião, o também antigo Presidente Filipe Nyusi pediu que se conte também histórias de “heróis anónimos”, defendendo ser importante a partilha de outras experiências com os jovens rumo ao desenvolvimento.
“É importante começarmos a pensar em diversificar a partilha, repito a palavra, a partilha de experiências a nível do pensamento, partilhas regionais, partilhas intergeracionais, para que essas experiências sejam usadas para todos os casos”, defendeu Filipe Nyusi.
O antigo Presidente elogiou os esforços do Governo face às cheias, considerando que “o importante é que eles mapearam” a situação, visto que, nas zonas onde estavam isoladas, “ainda persistia apoio, o que significa que estiveram muito prontos para fazer isso”, felicitando as autoridades pela prontidão e aos moçambicanos pela solidariedade que prestaram entre irmãos.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, pediu hoje aos cidadãos para cumprir as recomendações das autoridades para travar mais danos humanos devido às cheias, elogiando “heroicismo” no resgate às vítimas das inundações, ao falar nas celebrações de 03 de fevereiro, dia dos Heróis.
Chapo reconheceu que o país celebra o dia dos Heróis nacionais num contexto “bastante adverso” condicionado pelas cheias de grandes proporções nas últimas semanas, com mais de 720 afetados.
Ao discursar na Praça dos Heróis, Chapo saudou a solidariedade prestada às vítimas das inundações, numa assistência movida, em primeira instância, pelo povo moçambicano, elogiando esforços coletivos na resposta à emergência.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 153 mortos, além de 254 feridos e de 844.372 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
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By Impala News / Lusa