Afeganistão acusa Paquistão de bombardear campos de refugiados
O Governo talibã acusou o exército do Paquistão de cometer “crimes morais e humanitários” ao bombardear campos que abrigam migrantes afegãos recém-deportados por Islamabad.
O Ministério para os Refugiados e Repatriação da administração talibã denunciou num comunicado ataques diretos contra o campo de Omari, localizado na passagem fronteiriça de Torkham (província de Nangarhar), e contra outras instalações de acolhimento em Spin Boldak (Kandahar).
Segundo o ministério, os bombardeamentos paquistaneses deixaram “um número indeterminado de migrantes inocentes mortos e feridos, incluindo mulheres e crianças”.
O regime de Cabul sublinhou a situação dramática destas vítimas, lembrando que se trata de civis deslocados por anos de guerra e oprimidos pela insegurança, que acabaram de ser “expulsos à força pelo Paquistão, em violação de todas as leis internacionais”.
Depois de serem forçados a atravessar a fronteira, os repatriados foram agora alvo de ataques nos mesmos refúgios onde tentavam reinstalar-se.
“Condenamos veementemente este crime cometido pela parte paquistanesa”, afirmou o ministério, descrevendo a ofensiva como uma violação dos princípios humanitários e dos valores humanos, “que não tem justificação”.
O controlo rigoroso que os talibãs exercem sobre a imprensa, somado às severas restrições de acesso pelos meios de comunicação internacionais e organizações humanitárias a estas zonas remotas da fronteira da Linha Durand, impede a confirmação neutra tanto do número de mortos e feridos como da real extensão dos danos materiais reclamados por Cabul.
Apesar da falta de verificação independente, as autoridades afegãs instaram, no comunicado, a comunidade internacional e as organizações de ajuda humanitária a “não ficarem em silêncio” perante o derramamento de sangue.
Exigiram também a Islamabad que “reconheça a responsabilidade para com os civis e se abstenha desta violência prejudicial”.
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By Impala News / Lusa