Adicione a Impala como fonte preferida google share

Portugal depois de Ronaldo: quem assume o protagonismo da Seleção nos próximos anos?

Ronaldo continua a ser uma peça enorme da história presente. Só que, pela primeira vez em muitos anos, Portugal já dá sinais claros de que também sabe preparar o futuro.

Portugal depois de Ronaldo: quem assume o protagonismo da Seleção nos próximos anos?

Durante quase duas décadas, falar da Seleção Nacional foi, em grande parte, falar de Cristiano Ronaldo. Não apenas pelo número absurdo de golos, recordes e torneios disputados, mas porque a própria identidade competitiva de Portugal cresceu à volta da sua figura. Só que o futebol não pára, o tempo também não, e a grande questão que hoje se coloca já não é se Ronaldo continua a ser importante, mas sim até que ponto Portugal já aprendeu a ganhar sem depender totalmente dele.

Entre convocatórias, exibições e a expectativa em torno da equipa, muitos adeptos acompanham esta fase da Seleção com a mesma atenção com que procuram o código promocional da Betano para seguir diferentes momentos do futebol. Dentro de campo, porém, a pergunta central é outra: estará Portugal realmente preparado para a transição depois de Cristiano Ronaldo?

A resposta mais honesta é que esta transição já começou, mas ainda não terminou. Ronaldo continua a ter peso competitivo, como mostrou na caminhada para a conquista da Nations League de 2025, em que marcou na meia-final frente à Alemanha e voltou a aparecer na final diante da Espanha. Ao mesmo tempo, Portugal já deu provas suficientes de que tem qualidade, profundidade e soluções coletivas para não ficar preso a um único protagonista.

Uma seleção menos dependente, mas ainda marcada pela sua maior figura

O ponto mais interessante nesta fase da equipa de Roberto Martínez é que Portugal deixou de ser uma seleção que precisava de entregar tudo ao mesmo jogador para se sentir competitiva. Isso não significa que Ronaldo tenha deixado de contar. Significa, sim, que o coletivo cresceu à sua volta. O título da Nations League de 2025 foi um bom retrato disso: Ronaldo foi decisivo, mas não esteve sozinho. Nuno Mendes teve um impacto enorme, Diogo Costa voltou a responder em momentos de pressão e o meio-campo ofereceu controlo e critério em cenários de exigência máxima.

Essa talvez seja a melhor notícia para Portugal a pouco mais de um ano do Mundial. A seleção continua a ter no capitão uma referência emocional e competitiva, mas já não vive exclusivamente daquilo que ele consegue resolver. A vitória por 9-1 sobre a Arménia, que confirmou o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2026, mostrou precisamente isso: mesmo sem Ronaldo, ausente depois da expulsão frente à Irlanda, a equipa encontrou golos, dinâmica ofensiva e liderança repartida por vários nomes. Bruno Fernandes e João Neves, por exemplo, assumiram um protagonismo que há alguns anos pareceria improvável num jogo desta dimensão.

Bruno, Bernardo, Vitinha e Nuno Mendes: o novo centro da equipa

Se o futuro de Portugal tiver de ser explicado em quatro nomes, o mais natural será começar por Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Vitinha e Nuno Mendes. São jogadores diferentes entre si, mas complementares naquilo que oferecem. Bruno traz verticalidade, agressividade no passe e capacidade para aparecer em zonas de finalização. Bernardo continua a ser um organizador subtil, daqueles que dão ordem ao jogo sem precisarem de acelerar sempre. Vitinha acrescenta critério, pausa e inteligência posicional. E Nuno Mendes já não é apenas uma promessa: tornou-se um jogador capaz de decidir jogos grandes ao mais alto nível.

É por isso que a pergunta sobre o “depois de Ronaldo” talvez esteja mal colocada quando se tenta encontrar um único sucessor. Portugal não parece estar a caminhar para trocar um protagonista por outro. Está, antes, a construir uma seleção em que o peso do jogo se distribui de forma mais equilibrada. Isso torna a equipa menos previsível, mais flexível e, em muitos momentos, mais difícil de controlar para adversários fortes.

O ataque já não vive à espera de um só finalizador

Também no último terço se nota essa mudança. Durante muitos anos, Portugal parecia emocionalmente condicionado à ideia de alimentar Ronaldo o mais rápido possível. Hoje a equipa tem mais caminhos. Gonçalo Ramos oferece mobilidade e ataque à profundidade. Rafael Leão traz aceleração e desequilíbrio puro. Francisco Conceição deu sinais claros daquilo que pode acrescentar, inclusive num palco tão exigente como a meia-final da Nations League frente à Alemanha, quando entrou e marcou um golo decisivo antes do tento de Ronaldo.

Isto não quer dizer que Portugal seja melhor sem o capitão. Esse é um debate fácil, mas demasiado simplista. O que se pode dizer, com mais rigor, é que a equipa está hoje mais preparada para alternar comportamentos. Pode jogar com um ponta-de-lança mais fixo, pode procurar mais mobilidade entre linhas, pode atacar com largura ou por dentro, e já não parece condenada a um único padrão ofensivo. Esse crescimento coletivo é um dos maiores sinais de maturidade desta geração.

O Mundial de 2026 pode fechar um ciclo sem abrir um vazio

Há ainda um fator inevitável nesta conversa: a dimensão simbólica de Cristiano Ronaldo. Mesmo numa fase mais adiantada da carreira, continua a ser o rosto mais poderoso do futebol português. A recente gestão física, incluindo a ida a Espanha para recuperar de uma lesão muscular, mostra que o calendário já exige outro tipo de controlo. Ainda assim, o peso competitivo do capitão permanece evidente, tanto pela influência em campo como pela forma como o grupo se organiza em torno da sua presença.

O Mundial de 2026 tem tudo para ser o último grande capítulo internacional dessa história. E talvez seja isso que torne esta fase tão interessante. Portugal não está a viver uma rutura brusca, mas sim uma passagem gradual de testemunho. A seleção continua a beneficiar da experiência, da ambição e da mentalidade de Ronaldo, ao mesmo tempo que vai entregando mais metros de jogo, mais responsabilidade e mais protagonismo a uma geração que já não entra em campo apenas para o acompanhar.

Portugal parece pronto para a transição — e isso já diz muito

No fim, o sinal mais encorajador para a Seleção Nacional é este: a saída futura de Cristiano Ronaldo não parece anunciar um vazio, mas sim uma mudança de centro de gravidade. Portugal continuará a perder um dos maiores jogadores da história do futebol, o seu maior goleador e o líder mais marcante da era moderna. Isso nunca será pequeno.

Mas a equipa que existe hoje já não depende de um milagre individual para competir com as melhores. Tem meio-campo de elite, laterais capazes de decidir jogos grandes, avançados com características diferentes e uma base competitiva sólida. Ronaldo continua a ser uma peça enorme da história presente. Só que, pela primeira vez em muitos anos, Portugal já dá sinais claros de que também sabe preparar o futuro.

Adicione a Impala como fonte preferida google share