Travessias ilegais para a UE caem 40% nos primeiros quatro meses de 2026

O número de travessias ilegais nas fronteiras externas da União Europeia (UE) caiu 40% nos primeiros quatro meses de 2026, face ao mesmo período do ano passado, divulgou hoje a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex).

Travessias ilegais para a UE caem 40% nos primeiros quatro meses de 2026

“O número de travessias ilegais das fronteiras para a União Europeia continuou a cair nos primeiros quatro meses de 2026, com uma redução adicional de 40% em comparação com o mesmo período do ano passado”, indicou a Frontex.

Os dados da agência comunitária apontam, que entre janeiro e abril deste ano, foram registadas pouco mais de 28.500 travessias, refletindo uma tendência de queda sustentada nas entradas irregulares para o território do bloco europeu.

“A redução reflete uma combinação de fatores, incluindo cooperação contínua com países parceiros, medidas preventivas em países-chave de partida e condições meteorológicas difíceis no início do ano”, avaliou a Frontex.

O Mediterrâneo Central (rota que sai da Tunísia e Líbia em direção à Europa, nomeadamente para as costas italianas e maltesas) e o Mediterrâneo Oriental (da Turquia para a Grécia) mantiveram-se como as rotas mais utilizadas, cada uma representando cerca de um terço das entradas irregulares na UE.

Já a África Ocidental registou a maior quebra, com uma descida de 78%, atribuída a medidas de controlo reforçadas por países como a Mauritânia, o Senegal e a Gâmbia, em cooperação com a União Europeia e Espanha.

Por outro lado, o Mediterrâneo Ocidental (rota que envolve Argélia e Marrocos em direção a Espanha) foi a única rota principal a registar um aumento, com uma subida de cerca de 50%, impulsionada sobretudo por partidas a partir do território argelino.

Apesar da descida global, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que mais de 1.200 pessoas tenham morrido no Mediterrâneo desde o início do ano, sublinhando o elevado custo humano das travessias, frequentemente realizadas em embarcações precárias e sobrelotadas.

A Frontex, que atualmente conta com mais de 3.800 agentes destacados nas fronteiras externas da UE, sublinha que continua a apoiar os Estados-membros na gestão das fronteiras e nas operações de busca e salvamento no mar.

O Mediterrâneo Central registou cerca de 8.500 chegadas, menos 46% do que no mesmo período de 2025, enquanto o Mediterrâneo Oriental somou cerca de 8.400 travessias, uma descida de 32%.

Já a rota dos Balcãs Ocidentais (que passa por países como Albânia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro ou Sérvia) registou cerca de 2.800 deteções, uma redução de 19%, e a fronteira terrestre oriental cerca de 1.100, menos 49%.

As tentativas de atravessar o Canal da Mancha, que liga França ao Reino Unido, também caíram quase para metade, totalizando cerca de 9.900 deteções, segundo os dados preliminares.

A Frontex adianta que continuará a monitorizar a evolução dos fluxos migratórios, num contexto marcado por instabilidade em várias regiões de origem e trânsito, nomeadamente no Médio Oriente.

O comissário europeu responsável pelos assuntos internos e pela migração, Magnus Brunner, observou que a redução verificada em 2026 se deve ao “impacto das reformas introduzidas ao longo dos últimos anos”.

“Isso inclui uma proteção mais forte das fronteiras externas da UE, uma cooperação mais estreita com países parceiros ao longo das rotas migratórias e o desenvolvimento de um sistema migratório europeu mais eficaz. A forte queda nas travessias ilegais de fronteira mostra que estamos no caminho certo”, referiu o representante num comunicado.

O Pacto Migratório da UE, adotado em maio de 2024 e que estará totalmente em vigor em meados de 2026, reforça a gestão comum da migração e do asilo, acelerando processos nas fronteiras externas e promovendo maior solidariedade entre Estados-membros.

 

ANE // SCA

By Impala News / Lusa

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