Itália financia obra de drenagem com 63,2 ME para reduzir inundações em Maputo
A Itália disponibilizou hoje 63,2 milhões de euros para a construção de um sistema de drenagem na capital moçambicana, para reduzir inundações urbanas e melhorar as condições de vida de cerca de 150 mil pessoas.
O fundo de 60 milhões de euros em crédito e 3,2 milhões em donativos é disponibilizado através da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, tendo-se procedido ao lançamento hoje da primeira pedra pelo ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael.
“É neste quadro de amizade e cooperação que hoje testemunhamos mais um marco importante: o lançamento da primeira pedra do Projeto do Sistema de Drenagem de Águas Pluviais na Cidade de Maputo”, disse o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos
As obras vão abranger bairros como Maxaquene B, C e D e Polana Caniço A e B, e incluem cerca de 14 quilómetros de rede de drenagem, nove quilómetros de estradas pavimentadas e aquedutos subterrâneos em betão com capacidade até 30 metros cúbicos.
Segundo o ministro, a obra responde a problemas recorrentes de alagamentos causados por chuvas intensas, que afetam a mobilidade, danificam infraestruturas e aumentam riscos sanitários, exigindo soluções estruturais.
O projeto, com conclusão prevista em três anos, está a cargo da construtora italiana Renco, envolvendo também medidas de mitigação social, incluindo compensações a 210 famílias afetadas pelos empreendimentos e a construção de cinco habitações para 22 agregados familiares.
“Esperamos uma atuação tecnicamente rigorosa e socialmente responsável, em estreita articulação com as autoridades locais”, acrescentou Fernando Rafael.
O governante enquadrou ainda a intervenção no esforço mais amplo de reforço do saneamento no país, que inclui a promoção da construção de mais de 158 mil fossas sépticas e 467 mil latrinas melhoradas, o estabelecimento de seis mil ligações à rede de esgoto em cidades como Maputo e Quelimane na província moçambicana de Zambézia, no centro, a construção de duas estações de tratamento de águas residuais nestas cidades e a conclusão da Estação de Lamas Fecais da cidade de Tete, já na fase final.
O embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, destacou na ocasião que a iniciativa integra as prioridades da cooperação italiana no setor da água e saneamento.
“Trata-se de um projeto de regeneração urbana que contribuirá significativamente para reduzir as vulnerabilidades de vários bairros de Maputo face às inundações”, disse o diplomata.
O presidente do município de Maputo, Razaque Manhique, considerou no mesmo evento que a obra representa uma “viragem estrutural”, numa cidade com cobertura de drenagem estimada em cerca de 40%, mas inferior a 25% nas zonas periurbanas.
O Governo moçambicano prevê, no âmbito mais amplo do saneamento, expandir infraestruturas em várias cidades e aumentar a cobertura nacional para 48% até ao final deste quinquénio, com impacto na saúde pública e na resiliência climática.
“Estão igualmente programadas três intervenções em infraestruturas de drenagem urbana, com destaque para as cidades da Beira, Chimoio e Pemba,” disse o ministro.
EYMZ // JMC
By Impala News / Lusa