Polícia moçambicana classifica de acidentais mortes em protestos de moto-taxistas

A Polícia da República de Moçambique afirmou hoje que as duas mortes durante confrontos entre agentes e moto-taxistas em Tete foram acidentais, defendendo que os disparos efetuados pelas forças de segurança visavam apenas dispersar manifestantes.

Polícia moçambicana classifica de acidentais mortes em protestos de moto-taxistas

“Foram vítimas que ocorreram de forma fortuita, de forma acidental, sem qualquer intenção por parte dos agentes da lei e ordem”, declarou o porta-voz da PRM em Tete, Feliciano da Câmara, em conferência de imprensa.

Segundo o responsável, os incidentes ocorreram na terça-feira durante uma operação multissetorial de fiscalização de motociclos, que desencadeou protestos de moto-taxistas em vários bairros da cidade e provocou a interrupção temporária da circulação na Estrada Nacional Número 7.

“A violência popular caracterizou-se por barricadas na Estrada Nacional número sete, arremesso de pedras contra agentes da polícia, danificação e incêndio de viaturas, além de tentativa de apoderamento de uma arma de fogo”, afirmou.

De acordo com a polícia, grupos de manifestantes recorreram a pedras, pneus e troncos para bloquear vias públicas nos bairros Samora Machel, Matundo e Chingodzi, tendo ainda danificado viaturas em circulação e incendiado um camião de recolha de lixo pertencente ao Conselho Municipal de Tete.

A PRM acrescentou que os manifestantes tentaram apoderar-se de uma arma do tipo AK-47 pertencente a um agente em serviço, entretanto recuperada após uma perseguição policial.

Perante os confrontos, as forças de segurança recorreram a meios de dispersão de massas e efetuaram disparos para o ar, ação que, segundo a corporação, permitiu remover barricadas e restabelecer a circulação de pessoas e bens.

“Os agentes da lei e ordem se encontravam nesta ação de dispersão de massas e foi a partir disto que foram efetuados disparos para o ar, sem o objetivo de atingir qualquer ente cidadão que se encontrava nas imediações”, acrescentou Feliciano da Câmara.

Em causa está a morte de duas pessoas e o ferimento de uma terceira, todas vítimas de baleamento, durante os confrontos ocorridos na sequência da operação de fiscalização realizada pela PRM e pela polícia municipal de Tete.

Segundo a polícia, os três feridos foram transportados para o Hospital Provincial de Tete, onde duas vítimas acabaram por morrer, permanecendo uma terceira sob cuidados médicos. A corporação afirma estar a contactar as famílias afetadas para avaliar formas de assistência social.

A operação resultou ainda na apreensão de 69 motociclos por diversas irregularidades e na detenção de sete suspeitos, apontados como cabecilhas dos protestos, já encaminhados ao Ministério Público para os procedimentos judiciais subsequentes.

Os acontecimentos motivaram críticas do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), que acusou a polícia de recorrer ao uso “excessivo e desproporcional” da força e exigiu uma investigação célere, independente e imparcial para esclarecer as circunstâncias das mortes e dos ferimentos registados em Tete.

Apesar das críticas, a PRM garantiu que as operações de fiscalização rodoviária vão prosseguir na província, defendendo que as ações visam prevenir acidentes de viação e assegurar o cumprimento das normas do Código de Estrada.

 

EYMZ (LCE) // MLL

By Impala News / Lusa

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