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As pessoas mais felizes do mundo têm algo em comum e não é dinheiro

A Finlândia é o país com as pessoas mais felizes do mundo pelo nono ano consecutivo. O que têm em comum as populações mais satisfeitas com a vida? O dinheiro não está no topo da lista e a resposta surpreende.

As pessoas mais felizes do mundo têm algo em comum e não é dinheiro

As pessoas mais felizes do mundo não vivem necessariamente nos países mais ricos. O Relatório Mundial da Felicidade 2026, publicado pelo Centro de Pesquisa de Bem-Estar da Universidade de Oxford em parceria com a Gallup e a ONU, voltou a colocar a Finlândia no primeiro lugar pelo nono ano consecutivo.

O top 10 é dominado pelos países nórdicos – Islândia, Dinamarca, Suécia, Noruega – com a surpresa da Costa Rica no quarto lugar, a única nação fora da Europa neste grupo de elite.

O que têm em comum estas populações? A investigação acumulada ao longo de décadas aponta para um conjunto de fatores que aparecem de forma consistente, e que qualquer pessoa pode cultivar, independentemente do país onde vive.

Pessoas felizes: as relações acima de tudo

O relatório é explícito: a felicidade humana é impulsionada pelas relações com os outros. Partilhar refeições com outras pessoas está fortemente ligado ao bem-estar em todas as regiões do mundo. Nas comunidades mais felizes, as pessoas não jantam sozinhas, e as que o fazem sentem isso de forma mensurável.

Um dado do relatório que deve dar que pensar: 19% dos jovens adultos em todo o mundo relataram não ter ninguém com quem pudessem contar para apoio social em 2023. Um aumento de 39% face a 2006. O isolamento social não é apenas um problema de saúde, é um problema de felicidade.

“A felicidade humana é impulsionada pelas nossas relações com os outros. Investir em ligações sociais positivas e envolver-se em ações benevolentes são ambos acompanhados por maior felicidade”, afirma Lara Aknin, professora de psicologia social na Universidade Simon Fraser e editora do relatório.

O propósito como motor da felicidade

As pessoas mais felizes do mundo têm uma resposta clara para a pergunta “para que é que eu sirvo?”. Não precisa de ser uma missão grandiosa. Pode ser tão simples como cuidar de um jardim, ensinar algo a uma criança, fazer parte de uma comunidade com quem se partilha algo genuíno ou contribuir regularmente para algo maior do que si próprio.

A investigação em psicologia positiva é consistente: o propósito protege contra a depressão, aumenta a resiliência, melhora o sistema imunitário e prolonga a vida. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto, identificou o sentido como o fator central da sobrevivência humana, não o prazer, não o sucesso, mas a sensação de que a própria existência tem uma razão de ser.

Generosidade e confiança

Os países mais felizes partilham também níveis elevados de confiança social e institucional. As pessoas confiam nos vizinhos, nas instituições, no sistema de saúde, no Estado. Essa confiança reduz o stress crónico de fundo, a ansiedade difusa de viver num ambiente que pode falhar ou trair a qualquer momento.

E há algo mais inesperado: a generosidade. Dar tempo, atenção ou recursos a outros está associado a níveis mais altos de bem-estar do que receber. O cérebro recompensa os comportamentos pró-sociais com dopamina e oxitocina, as mesmas moléculas que ativam o sentimento de amor e apego.

A liberdade de escolher a própria vida

O relatório destaca também a liberdade percebida como fator central. Não se trata de liberdade política no sentido formal, mas antes da sensação subjetiva de que as decisões sobre a própria vida dependem de cada um. As pessoas que sentem que têm controlo sobre as suas escolhas, na carreira, nas relações, no quotidiano, são sistematicamente mais felizes do que as que sentem que as circunstâncias decidem por elas.

O dinheiro importa, mas até certo ponto

O relatório confirma o que a investigação tem mostrado repetidamente: o dinheiro contribui para a felicidade, mas o efeito diminui a partir de um certo limiar de segurança financeira. O que separa os países mais felizes do mundo não é o PIB per capita, é a coesão social, a confiança nas instituições, a generosidade e essa liberdade percebida de tomar decisões sobre a própria vida.

A Finlândia não é o país mais rico do mundo. É o que tem os sistemas mais confiáveis, as redes sociais mais fortes e a menor distância entre o que as pessoas têm e o que precisam para se sentir seguras.

Pessoas felizes não têm vidas perfeitas. Têm relações sólidas, propósito claro e a sensação de que a vida vale a pena e de que há alguém com quem partilhá-la.

Luís Martins; WiN
Imagem Pexels

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