13 de maio em Fátima: 109 anos de fé que continuam a mover o mundo
Fátima recebe nesta quarta-feira mais de 450 mil peregrinos para a maior celebração do ano no Santuário da Cova da Iria, 109 anos após a primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos.
Fátima volta a ser, nesta quarta-feira, o centro espiritual do mundo católico. Milhares de fiéis de 28 países e cinco continentes chegam à Cova da Iria para celebrar o 109.º aniversário da aparição que terá sido relatada pelos três pastorinhos de Aljustrel, em 1917.
A peregrinação de maio é a mais participada do ano. No ano passado, o Santuário de Fátima acolheu mais de 450 mil peregrinos, número que ilustra bem a dimensão do fenómeno de fé que, há mais de um século, transforma esta pequena localidade do concelho de Ourém numa das mais importantes referências do catolicismo mundial.
O que foi relatado em 1917
Tudo começou em 13 de maio de 1917, quando três crianças de Aljustrel – Lúcia Santos, de 10 anos, e os primos Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 anos – relataram ter visto uma ‘senhora vestida de branco’ na Cova da Iria, a poucos quilómetros de casa.
As alegadas aparições repetiram-se nos dias 13 de cada mês, até outubro desse mesmo ano, quando o chamado ‘Milagre do Sol’ terá sido testemunhado por dezenas de milhares de pessoas presentes na Cova da Iria.
Lúcia tornou-se freira e viveu até aos 97 anos. Francisco e Jacinta morreram muito jovens, vítimas da gripe espanhola, em 1919 e em 1920, e foram canonizados pelo Papa Francisco em 2017, no centenário dos acontecimentos.
O Santuário de Fátima foi erguido na Cova da Iria e tornou-se rapidamente num dos maiores locais de peregrinação do mundo, atraindo peregrinos de todos os continentes, incluindo três papas: Pio XII, João Paulo II e Francisco.
Peregrinação de 28 países
Neste ano de 2026, inscreveram-se 138 grupos provenientes de 28 países, sendo 44 grupos de Portugal. Os países com maior expressão de peregrinos são, além de Portugal, Polónia, Itália, França, Brasil e México. Chegam ainda grupos de África – Cabo Verde, Gabão, Congo, Senegal, Ilhas Maurícias e Burkina Faso –, da Ásia – Macau, Vietname, Filipinas, Índia, Coreia do Sul e Malásia – e das Américas, incluindo Venezuela, Estados Unidos, Canadá e Colômbia.
A peregrinação deste ano é presidida pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, de 61 anos, natural do concelho de Ourém. É a primeira vez que preside a uma peregrinação na Cova da Iria desde que foi nomeado para a Sé Patriarcal, em 2023. Ao jornal Voz da Fátima, citado pela RTP, D. Rui Valério afirmou que leva à peregrinação “o pedido urgente pela paz global e o apelo aos cristãos para irem ao encontro dos outros”.
Programa das celebrações
As celebrações começaram na noite de ontem, terça-feira, 12 de maio, com a recitação do terço na Capelinha das Aparições, às 21h30, seguida da procissão das velas e da Celebração da Palavra no recinto.
Nesta quarta-feira, 13 de maio, o programa incluiu a recitação do terço às 09h00 na Capelinha das Aparições, a missa às 10h00, com a bênção dos doentes, e a procissão do adeus no recinto.
Operação de grande escala
Para garantir a segurança de centenas de milhares de peregrinos, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) mobilizou cerca de 300 operacionais para a ‘Operação Fátima 2026’, incluindo 170 elementos de 29 corpos de bombeiros da região de Lisboa e Vale do Tejo, elementos do INEM, Cruz Vermelha Portuguesa e GNR.
A GNR mobilizou cerca de 200 militares por dia e conta com o apoio de forças congéneres de Itália e França. O dispositivo inclui ainda capacidade ‘antidrone’, permitindo deteção e inativação de aparelhos não autorizados a sobrevoar o santuário.
Caminho que muitos fazem a pé
Para muitos, chegar a Fátima não é apenas uma questão de fé, é também uma prova física e espiritual que pode durar dias. Grupos de peregrinos percorrem centenas de quilómetros a pé, carregando as suas intenções num passo de cada vez, dormindo em pavilhões improvisados, partilhando sopas quentes e pão caseiro e unindo-se em oração ao amanhecer.
“Ajoelhamo-nos em pleno recinto para a consagração a Nossa Senhora. As pernas estão doridas, os pés calejados, as costas cansadas, mas o coração… esse condutor desta viagem é impossível de descrever”, escreveu a nossa jornalista Mariana de Almeida, após percorrer 70,6 quilómetros e 115.759 passos do Cartaxo até Fátima.
É este o espírito que, 109 anos depois, continua a trazer meio milhão de pessoas à Cova da Iria todos os anos.