Pedro Carvalho “Ser pai é um sonho muito presente”
Pedro Carvalho completa 20 anos de carreira e há uma década que divide a sua vida entre o Brasil e Portugal. Em entrevista à NOVA GENTE, falou de trabalho, do marido e do cão, assim como do desejo de ser pai.
Em 2026, completa 20 anos de carreira. O que sente quando olha para trás?
Sinto, sobretudo, que têm sido 20 anos de muito trabalho, de escolhas corajosas e de um crescimento que não foi só profissional, mas profundamente humano. Olho para trás com orgulho por ter acreditado no meu caminho, mesmo quando ele não era óbvio.
Costuma refletir sobre o que mudaria, o que não teria feito, os nãos que devia ter dado… ou acha que é “feito daquilo que fez”?
Sou, claramente, feito daquilo que fiz. Não vivo com arrependimentos, vivo com aprendizagem. Claro que hoje faria algumas coisas de forma diferente, diria mais “nãos” e proteger-me-ia mais em certos momentos, mas tudo isso fez de mim o profissional e o homem que sou hoje.
Com 40 anos de vida e 20 de carreira, o que lhe falta fazer?
Falta fazer muito. Quero continuar a crescer como ator, fazer personagens que me desafiem verdadeiramente, tanto no cinema como na TV e no teatro. Tenho vontade de contar histórias com impacto.
Acredita que a vida foi simpática consigo ou foi um alinhamento entre o que procurou e onde chegou?
Acredito que a vida responde a quem se move. Nada me caiu do céu. Nunca. Houve sorte, sim, mas houve, sobretudo, trabalho, persistência e uma enorme capacidade de adaptação. Fui ao encontro das oportunidades. Arrisquei.
Como descreve a sua vida neste momento? Está feliz e realizado?
Estou feliz, consciente e em equilíbrio. Não diria realizado no sentido de “chegado”, porque acredito que isso nos faz parar. Mas estou num momento muito bom, alinhado comigo e com aquilo que quero construir.
Há quase 10 anos que divide a vida entre o Brasil e Portugal. Foi a decisão certa?
Foi uma das decisões mais importantes e mais acertadas da minha vida. O Brasil abriu-me portas, ensinou-me muito e deu-me uma maturidade artística e pessoal enorme.
Que projetos tem lá neste momento?
Terminei agora em novembro de filmar dois filmes que vão estrear este ano e agora estou a aproveitar umas férias, que já há muito não tinha.
Sente que teve mais oportunidades no Brasil do que em Portugal?
Tive oportunidades diferentes. Eu cresci a fazer TV em Portugal, literalmente, a minha formação (inicial) como ator foi em Portugal também. O Brasil deu-me escala, diversidade, reconhecimento, eu diria, e um mercado muito amplo. Portugal deu-me base e identidade. Não coloco um contra o outro.
Sentiu-se alguma vez desvalorizado em Portugal?
Não, de todo. Porque sentiria? Ao longo da minha carreira, tenho tido oportunidades incríveis de poder interpretar personagens complexos em bons projetos, tanto na TV como no cinema e teatro, de trabalhar com profissionais, colegas, amigos talentosos. E sinto carinho do público, e isso é o mais importante.
Regressava agora se houvesse um convite profissional?
Sem dúvida. Estou sempre disponível para bons projetos em Portugal.
Que papel o faria vir para Portugal?
Um papel forte, complexo, que me desafiasse artisticamente e que tivesse uma equipa e uma visão claras. Isso é essencial.
Leia esta matéria na íntegra na sua NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas.
Texto: NEUZA GOMES; Fotos: D.R.
