Paulo Pires “Vejo a idade como algo muito bom” [Entrevista Exclusiva]

O eterno galã da ficção nacional abriu o coração para falar da forma como cuida do seu bem estar para poder desfrutar da vida ao máximo, e recusa a ideia pré-concebida de que foi beneficiado pela genética. “O mérito é meu”, brinca. Pai babado, faz questão de acompanhar de perto o crescimento das filhas e também as tendências, até porque, garante, não está desatualizado.

Paulo Pires

Está no ar com a série Lisbon Noir, disponível na TVI e na Prime, no papel de Adriano Lopes, um diretor da Polícia Judiciária. O que é que este homem veio trazer à sua vida?

Deu-me mais uma experiência muito boa. Fiquei contente pelo facto de ter sido convidado para participar na série. Eu acompanho o trabalho do Artur Ribeiro [o autor] há muito tempo e tenho a sorte de o ter como amigo. É uma pessoa muito séria no trabalho, muito bem formada e tem uma forma de estar na vida que eu não só admiro, como também me identifico. Isto é uma história de ação muito interessante e eu costumo dizer que o Adriano é o chato da história.

É chato porque está sempre no gabinete?

Sim. É o homem do “não”. É o político, no sentido em que tem uma postura a defender. Este Adriano foi alguém que esteve no terreno, um homem de ação, e, a dada altura, como acontece com muitas pessoas que são bem-sucedidas no seu trabalho, foi convidado para um cargo superior. E ele depois fica um pouco espartilhado, condicionado no seu fato, na sua gravata, na sua condição de chefe. É uma personagem contida, muito séria, um bocadinho sisuda e cinzenta. É um bocadinho hipocondríaco porque, como não exterioriza aquilo que sente, depois há as úlceras, as gastrites e a azia…

Mas não se identifica com essa característica de ser contido, politicamente correto?

Não, não me identifico com isso. No meu dia a dia, na minha vida profissional, tento não ser contido, mas ser diplomata, ter alguma diplomacia, porque acho que é uma qualidade que tem vindo a cair em desuso e que faz um bocadinho de falta. Não demasiado, mas na sua conta certa. Sou uma pessoa mais emocional. Quando não gosto de uma coisa, digo que não gosto.

Aos 59 anos, consegue encontrar um bom equilíbrio entre os compromissos e o seu bem-estar?

Sim, tenho plena consciência daquilo que me faz sentir bem. Relativamente a essa questão da idade, eu não sinto a idade. Não quero com isto dizer algo do género: “Eu estou muito jovem”. Vejo a idade como algo muito bom, no sentido em que, quando se tem determinada idade, chegou-se lá, não é? Viveu-se. E viveu-se até aí. Eu gostava que a continuação da minha vida fosse com o máximo de bem-estar. Eu faço exercício regularmente, até mais do que fazia aos 20 ou aos 30 anos. Ainda agora fizemos 20 quilómetros diários na Rota Vicentina, às vezes em areia. E eu senti-me bem, a idade não estava em causa. É indiferente a minha idade.

Em relação à alimentação, também é disciplinado?

Gosto de ter uma boa alimentação, embora beba vinho e coma doces. Mas tento ser regrado nas minhas coisas. Nunca fui um fundamentalista, nunca fui um escravo. Mesmo quando comecei no início a trabalhar como modelo, comia de tudo, mas era mais ou menos regrado. Tento tirar partido dessas coisas no sentido de não me sacrificarem. Já sei que, se abusar de uma coisa, ela vai abusar de mim.

A sua boa forma física continua a ser muito comentada. Acha que tem uma boa genética ou provém totalmente dos cuidados que tem?

Dos cuidados, claro. Quando afirmam: “Estás assim porque é genético”. Eu respondo: “Já viste os meus pais?”. Não tirando mérito aos meus pais, mas é claro que é mérito meu. Não vou fazer uma crítica aos meus pais, mas, quer dizer, o meu pai nunca teve uma regularidade a nível de exercício físico. E sente isso na pele hoje em dia, não só na sua barriguinha, como em outras coisas. No meu caso, não é genética e acho que com a grande parte das pessoas não é genética. Há a tendência para atribuírem à genética quando acham que uma pessoa é bonita ou bem parecida. Não estou a dizer que é o meu caso porque nem sempre me sinto bem parecido. As pessoas nascem bonitas, mas se não se cuidarem, deixam de ser assim, mesmo que tenham uma grande genética.

Mas sente-se bem com a sua imagem?

Sim, sinto-me bem.

Falando em idades, as suas filhas têm 21 e 13 anos. Ainda consegue acompanhar tudo o que elas gostam? Músicas, tendências…

Consigo e não digo isto com falsa modéstia. Vamos dar o exemplo… Dependendo da geração, eu sei que se ouve Olivia Rodrigo, Taylor Swift… Posso apreciar ou não apreciar, mas elas sabem perfeitamente que eu não sou aquele pai que parou nos Pink Floyd. Interesso-me por várias bandas e não só dos anos 80. Sem desprimor pela M80, mas eu não ouço a M80 [risos]. Eu ouço a Radar, a Futura, a Oxigénio e, portanto, sei exatamente as bandas que mais me interessam. Sei quando é que lançam um disco. Agora estou à espera que a banda Night Tapes lance o novo disco. Portanto, eu não me sinto desatualizado.

 

Leia a entrevista na íntegra na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Vânia Nunes; Fotos: Arquivo Impala

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