Patrulhas marítimas chinesa e taiwanesa protagonizam confronto junto à ilha Pratas
Dois navios das guardas costeiras da China e de Taiwan protagonizaram um confronto marítimo nas proximidades da ilha Pratas, um território controlado por Taipé situado a 310 quilómetros a sudeste de Hong Kong.
A Administração da Guarda Costeira (CGA) de Taiwan indicou num comunicado que o navio 3501 da Guarda Costeira chinesa foi avistado às 07:25 hora local de sábado (00:25 em Lisboa) na zona e que posteriormente se dirigiu para as “águas restritas” de Taiwan.
Em resposta, a CGA enviou a patrulha Taichung, que emitiu “múltiplas advertências” tanto em chinês como em inglês ao outro navio, dando início a um “intenso confronto verbal” sobre a soberania daquelas águas.
“A República Popular da China detém soberania e jurisdição sobre as ilhas Dongsha (Pratas, em mandarim). A nossa embarcação está a realizar uma missão de patrulha de rotina; por favor, não interfiram nas nossas ações”, afirmou a guarda costeira chinesa, de acordo com a transcrição fornecida pela parte taiwanesa.
“O vosso comportamento demonstra precisamente que a paz da China é uma farsa e que a comunidade internacional não vos apoiará. Por favor, não destruam a paz. Deviam regressar e esforçar-se por alcançar a democracia; essa é a forma correta de servir o vosso país”, responderam os oficiais marítimos de Taiwan, de acordo com o comunicado.
A embarcação chinesa permaneceu mais de 24 horas na zona e abandonou as “águas restritas” de Pratas por volta das 17:00 (10:00 em Lisboa) de domingo.
No que vai do ano, um total de quatro navios da Guarda Costeira chinesa, em seis incursões distintas, foram “expulsos” das águas próximas de Pratas, indicou a CGA, que sublinhou que a soberania da República da China (nome oficial de Taiwan) “não admite provocações”.
“Taiwan possui tanto a determinação para defender a sua soberania como a capacidade para manter a paz. Continuará também a trabalhar em conjunto com países afins para preservar conjuntamente a paz e a estabilidade da região do Indo-Pacífico, adotando todas as medidas necessárias para defender firmemente a soberania nacional e a segurança marítima”, concluiu o texto oficial.
A ilha de Pratas é um dos territórios controlados por Taiwan no Mar da China Meridional, águas cuja soberania Pequim reivindica na sua quase totalidade e por onde transita cerca de um terço do tráfego marítimo mundial.
No início deste ano, o Exército chinês realizou um “treino de combate” com drones no espaço aéreo sobre Pratas, numa ação qualificada pelo Governo taiwanês como “altamente provocadora” e “irresponsável”.
O confronto marítimo deste fim de semana ocorreu pouco depois da cimeira entre os presidentes da China e dos EUA, Xi Jinping e Donald Trump, na qual ambos abordaram a situação de Taiwan, governada de forma autónoma desde 1949 e considerada pelas autoridades de Pequim como “parte inalienável” do território chinês.
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By Impala News / Lusa