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OMM alerta para 80% de probabilidade de El Niño este verão com impacto em Portugal

A Organização Meteorológica Mundial alerta para 80% de probabilidade de El Niño entre junho e agosto de 2026, com risco de fenómenos climáticos extremos nos próximos meses.

OMM alerta para 80% de probabilidade de El Niño este verão com impacto em Portugal

O alerta veio da Organização Meteorológica Mundial: há 80% de probabilidade de um episódio de El Niño se instalar entre junho e agosto de 2026. Para perceber o que isso significa, convém saber o que é o El Niño e quais as suas consequências.

As condições do El Niño estão a desenvolver-se e deverão influenciar os padrões globais de temperatura e precipitação, aumentando o risco de fenómenos meteorológicos extremos nos próximos meses. Este fenómeno está a ser impulsionado pelas temperaturas invulgarmente quentes das águas do Pacífico tropical.

O que dizem os números

A OMM prevê um episódio pelo menos moderado, e possivelmente forte. As probabilidades de que o fenómeno se prolongue pelo menos até novembro são próximas ou superiores a 90%.

O El Niño ocorre aproximadamente de dois em dois a sete em sete anos e dura entre nove e doze meses. A sua intensidade é medida pela forma como as temperaturas da água sobem acima da média numa zona do Oceano Pacífico equatorial.

O que muda no clima global

Secas e ondas de calor podem intensificar-se em algumas regiões, aumentando o risco de incêndios florestais e problemas no abastecimento de água, enquanto outras são atingidas por chuvas intensas e inundações. A uma escala maior, o El Niño faz com que as já crescentes temperaturas globais resultantes das alterações climáticas provocadas pelo homem subam ainda mais.

Um impacto mais provável é o aumento do calor global. O El Niño está a aumentar a probabilidade de 2026 ou 2027 se tornarem os anos mais quentes de que há registo na Terra.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, foi direto no seu alerta. “As condições do El Niño irão alimentar ainda mais o fogo de um planeta em aquecimento. Os impactos serão mais severos, vão propagar-se mais longe e atravessarão fronteiras com uma rapidez devastadora.”

O que pode mudar em Portugal

Portugal é um dos países do sul da Europa mais expostos aos efeitos indiretos do El Niño. As previsões apontam para a necessidade de reforçar a prevenção de incêndios florestais durante o verão, gerir os recursos hídricos com critério perante a possibilidade de períodos de seca e estar atento a vagas de calor que podem ser mais intensas e prolongadas.

A OMM já tinha estimado que o El Niño poderia regressar e os dados mais recentes confirmam essa tendência. Os eventos fortes de El Niño têm também consequências nos bancos de gelo da Antártida, com impacto a longo prazo no nível do mar e nas correntes oceânicas que regulam o clima europeu.

O que fazer

A diretora-geral da OMM, Celeste Saulo, sublinhou que “as previsões sazonais antecipadas e os sistemas de alerta precoce são essenciais para salvar vidas e atenuar os impactos nas nossas economias e comunidades”. O objetivo é que governos e organizações humanitárias possam tomar precauções com a maior antecedência possível.

Para Portugal, isso traduz-se em atenção redobrada à época de incêndios, que começa formalmente em julho, e à gestão das reservas de água nas bacias hidrográficas mais vulneráveis do interior e do Alentejo.

Luís Martins; WiN
Imagem Pexels

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