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MP do Brasil pede condenação de apresentador por declarações transfóbicas contra deputada

O Ministério Público (MP) Federal do Brasil pediu a condenação do apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, pelas declarações consideradas transfóbicas contra a deputada trans Erika Hilton

MP do Brasil pede condenação de apresentador por declarações transfóbicas contra deputada

Em causa está um comentário no “Programa do Ratinho” no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) sobre a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

“Ela não é mulher, ela é trans”, disse o apresentador, na quinta-feira.

Na ação, apresentada na sexta-feira, o MP pede que o Ratinho e o SBT sejam condenados a pagar uma multa de 10 milhões de reais (1,64 milhões de euros) a título de indemnização por danos morais coletivos.

Além disso, pede que a emissora retire, de imediato, a íntegra do programa dos sites e redes sociais, “como forma de limitar o dano perpetrado pelas falas discriminatórias e preconceituosas”.

A ação teve origem em representação encaminhada pela própria Erika Hilton.

“O interlocutor reduz a complexidade da existência feminina a funções fisiológicas e reprodutivas”, numa visão que “não apenas exclui mulheres trans, mas também marginaliza mulheres cisgénero que, por questões de saúde, idade ou genética, não possuem útero ou não menstruam”, sublinhou o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul, Enrico Rodrigues de Freitas,

“É uma forma de violência simbólica que nega à mulher trans o direito básico à sua própria identidade, tentando fixá-la em uma categoria biológica que ela não reconhece como sua”, concluiu.

Entretanto o SBT já reagiu, considerando que “Ratinho é um dos principais apresentadores e parceiros do SBT” e que “o assunto foi tratado internamente com todos os envolvidos no episódio e já solucionado”.

Erika Hilton confirmou nas redes sociais a denúncia que fez ao apresentador: “sim, estou processando o apresentador Ratinho”.

“Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é e sempre será um rato”, frisou.

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil elegeu na quarta-feira Erika Hilton para presidente, tornando-se a primeira mulher transgénero a ocupar o cargo, após uma votação tensa. 

“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país”, declarou a parlamentar do Partido Socialismo e Liberdade.

Erika Hilton recebeu 11 votos a favor e dez votos em branco.

De acordo com o portal oficial da Câmara dos Deputados, entre as prioridades da nova presidência constam a fiscalização, a rede de proteção e as Casas da Mulher Brasileira, o combate à violência política de género e a promoção de políticas de saúde integral para as mulheres.

Erika Hilton é a primeira deputada federal negra e trans eleita na história do Brasil, tendo recebido nas eleições de 2022 256.903 votos no estado de São Paulo.

Apesar de ter sido eleita, as deputadas da oposição criticaram duramente a nova presidente da comissão.

“Nós não podemos nos calar diante do que estamos vendo. Esta comissão é das mulheres, e nós queremos ser representadas por mulheres de verdade, que entendem a nossa natureza e os nossos desafios biológicos”, criticou a deputada Clarissa Tércio.

Na mesma linha, a deputada de direita Chris Tonietto considerou que não pode concordar “com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”.

Por outro lado, a vice-presidente eleita, Laura Carneiro, frisou que “esta comissão tem uma história de muitas lutas e conquistas”.

“Como vice-presidente, o meu compromisso é trabalhar ao lado da presidência e de todas as colegas para que o nosso foco seja um só: o direito e a dignidade de cada mulher deste país”, afirmou.

 

MIM // VQ

By Impala News / Lusa

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