Morte de Khashoggi num consulado saudita em 2018 vai ser investigada em França

Um juiz de instrução de Paris vai investigar o desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado em 2018 no consulado saudita em Istambul, indicaram hoje fontes judiciais.

Morte de Khashoggi num consulado saudita em 2018 vai ser investigada em França

“Um juiz de instrução do polo de crimes contra a humanidade vai agora investigar a queixa” das associações Trial International e Repórteres Sem Fronteiras (RSF), por tortura e desaparecimento forçado, na sequência de uma queixa apresentada contra o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, confirmou à agência noticiosa France-Presse (AFP) o Ministério Público Nacional Antiterrorista (Pnat).

A Arábia Saudita foi fortemente criticada após o assassínio deste jornalista dissidente, no qual os serviços secretos norte-americanos atribuíram responsabilidade direta ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, levando na altura ao isolamento internacional do reino.

A abertura desta investigação surge na sequência de uma queixa apresentada pelas associações Trial International, que “luta contra a impunidade dos crimes internacionais”, e Democracy for the Arab World Now (Dawn), organização que empregava Khashoggi.

As organizações recorreram à justiça francesa em julho de 2022, aquando de uma deslocação de Mohammed bin Salman a França, tendo posteriormente sido acompanhadas por uma queixa apresentada pelos RSF.

Após vários anos de procedimentos, durante os quais o Ministério Público se opôs à abertura de uma investigação em França, considerando que as associações não tinham legitimidade para apresentar queixa, o tribunal de recurso acabou por dar razão à Trial International e aos RSF, numa decisão proferida a 11 de maio, e à qual a AFP teve hoje acesso.

“Jamal Khashoggi foi vítima de um crime abominável decidido e planeado ao mais alto nível do Estado saudita, que mandou executar um jornalista que era uma voz dissidente e independente”, reagiu o advogado da RSF, Emmanuel Daoud.

A organização RSF “sempre demonstrou a sua determinação em fazer apurar a verdade sobre os mandantes e os executantes ou, mais exatamente, em fazer identificar as responsabilidades criminais por um juiz independente”, acrescentou.

O Pnat afirmou, por seu lado, “tomar nota desta decisão, que não invalida, no entanto, a interpretação” dos textos relativos à legitimidade das associações para apresentar queixa neste tipo de crimes.

“Já não deverá existir qualquer obstáculo à abertura de uma investigação judicial sobre o crime atroz de Jamal Khashoggi”, saudou o advogado da Trial International, Henri Thulliez. A Dawn considerou tratar-se de “uma etapa importante rumo à justiça”.

A 02 de outubro de 2018, Khashoggi foi até ao consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, mas não saiu do edifício.

A imprensa deu então conta de que Khashoggi foi morto e desmembrado no interior por agentes dos serviços secretos sauditas. Inicialmente, Riade negou a morte mas, a 20 de outubro, admitiu que Khashoggi morreu na sequência de uma luta no interior do consulado.

 

JSD // JNM

By Impala News / Lusa

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