Mondlane aponta “ponto de viragem extraordinário” para Moçambique nas próximas eleições

O presidente da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), Venâncio Mondlane, afirmou hoje que Moçambique poderá conhecer um “ponto de viragem extraordinário” em 2028, no seu primeiro discurso após a eleição à liderança daquela formação política.

Mondlane aponta

“Em 2028 [ano de eleições autárquicas] vai haver uma coisa extraordinária neste país, um ponto de viragem extraordinário”, declarou o político moçambicano perante cerca de 200 delegados e dezenas de convidados nacionais e estrangeiros na primeira Convenção Nacional do partido, realizada em Nampula, norte do país.

Falando após a sua eleição à liderança da Anamola, por unanimidade dos delegados presentes no momento da votação, Venâncio Mondlane sublinhou que o sucesso político da formação dependerá da capacidade de gerir as suas próprias diferenças e fragilidades internas.

“Se nós não conseguirmos gerir as nossas próprias limitações, não estaremos em condições de ganhar e muito menos de gerir o país”, defendeu. 

O líder do Anamola considerou que o processo eleitoral constitui apenas uma etapa inicial, defendendo que o mais importante será a preparação técnica, psicológica e organizacional para governar, com vista a promover uma transformação estrutural no país.

“Uma vitória eleitoral é fácil, é muito fácil, é o estágio mais baixo, mais simples, mais primário e mais básico na nossa luta política. A coisa mais importante é nós prepararmo-nos tecnicamente, psicologicamente, emocionalmente para nós podermos fazer a transformação que o país precisa, para dar um salto do segundo país mais pobre do mundo para estar entre as 50 nações mais prósperas do mundo”, declarou Mondlane.

No discurso, o político apelou à concentração nas prioridades nacionais, criticando a atenção excessiva a conflitos internos e disputas políticas, e incentivou os membros do partido a focarem-se na construção de um projeto de sociedade: “Vamos focalizar no país que sonhamos, no país que nós queremos, no país que este povo merece ter”.

O presidente do Anamola sustentou que o período entre 2026 e 2029 representa uma oportunidade “histórica” para promover mudanças profundas no país, afirmando que o partido tem condições para protagonizar essas mudanças, caso consiga manter a unidade e a coerência entre pensamento, discurso e ação.

“Foi-nos dada uma oportunidade única, que às vezes aparece de 50 em 50 anos”, declarou.

A intervenção ocorreu após a sua eleição como presidente do partido, numa convenção marcada pela definição das linhas estratégicas da formação política, num contexto em que Moçambique se prepara para eleições autárquicas em 2028 e gerais em 2029.

“A votação ocorreu durante a manhã de hoje e o presidente Venâncio Mondlane ganhou com cerca de 94,04% dos votos”, disse hoje à Lusa Abdul Nariz, assessor de imprensa da formação política.

Mondlane era o único candidato à presidência do Anamola, partido por si fundado em agosto e a que presidia interinamente, e foi eleito numa convenção iniciada no sábado e que termina hoje, com cerca de 400 delegados e dezenas de convidados nacionais e estrangeiros.

“Todos os delegados presentes com direito a voto, votaram a favor”, assinalou Abdul Nariz.

A votação decorreu após três dias de encontros, iniciados com um programa aberto ao público, incluindo uma marcha, seguindo-se sessões de trabalho progressivamente mais restritas, até ao encerramento à porta fechada, hoje.

O encontro ficou igualmente marcado por momentos de tensão à chegada de Venâncio Mondlane a Nampula, na quinta-feira, com relatos de pelo menos quatro feridos, segundo a plataforma não-governamental moçambicana Decide, após a intervenção policial com gás lacrimogéneo para dispersar apoiantes do político.

LCE // MLL

By Impala News / Lusa

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