Moçambique quer “novo patamar” na parceria com a UE além da extração de recursos – PR
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, destacou hoje a solidez das relações com a União Europeia (UE), desafiando a “um novo patamar” nessa parceria que descreveu como sólida e histórica, mas que não se limite à extração de recursos.
“A UE continua a ser um dos principais parceiros económicos e comerciais da República de Moçambique, desempenhando um papel relevante no investimento, no comércio, no financiamento ao desenvolvimento”, começou por sublinhar Chapo, na abertura, em Maputo, do segundo fórum de negócios Moçambique – UE (Global Gateway).
“Hoje, porém, queremos elevar esta relação para um novo patamar, através de uma parceria que vá além da extração de recursos e que avance para a criação conjunta de valor. Queremos uma parceria que transforme o potencial económico em prosperidade, concreta, para os nossos povos”, disse.
A posição surge numa altura em que o Governo moçambicano aprovou nova legislação, nomeadamente no setor da extração dos recursos minerais, que obriga ao tratamento no país, limitando a exportação em bruto.
“É precisamente neste contexto que a iniciativa Global Gateway assume particular relevância. A estratégia Global Gateway encontra em Moçambique um parceiro natural, pois partilhamos prioridades estratégicas fundamentais, tais como a transição energética global, a industrialização sustentável, conectividade regional, transformação digital, infraestruturas resilientes, desenvolvimento do capital humano e crescimento económico coletivo”, apontou.
Chapo enfatizou que Moçambique vive “um momento decisivo da sua história económica”, estando em construção um Estado “cada vez mais dialogante, mais facilitador, mais eficiente e mais orientado para resultados”.
“O crescimento económico sustentável exige instituições fortes, confiança dos investidores, previsibilidade jurídica e estabilidade regulatória. Estamos a fazer reformas porque temos a convicção de que para alcançarmos resultados diferentes, no sentido positivo, temos que fazer diferente”, sublinhou, recordando que desde 2025 o Governo “tem vindo a implementar um conjunto de arrojadas reformas”.
Essas reformas visam a estabilidade macroeconómica e consolidação das finanças públicas, a “melhoria da previsibilidade e transparência” do ambiente de negócios, e a “aceleração das reformas produtivas” e de “transformação económica” pela industrialização, energia e diversificação económica, disse.
Assumiu que a “melhor forma de avaliar” Moçambique “não é pela perceção do passado, mas pela velocidade das reformas” em curso e “pela dimensão das oportunidades” que estão a ser criadas para os investidores, bem como “pela determinação”com que o país está “a construir uma economia moderna, aberta ao investimento, integrada nas cadeias globais de valor e preparada para competir em pleno século XXI”.
“Mas, como quero ser claro, Moçambique não procura apenas transações”, avisou, adiantando que a estratégia de investimentos visa “a transformação económica e social, a industrialização, criação de emprego, principalmente para a juventude e a mulher moçambicana”.
Rcordou que anualmente centenas de milhares de jovens moçambicanos entram no mercado de trabalho, mas que essa juventude “não representa um problema” para Moçambique, “pelo contrário”.
“A juventude é um ativo, porque é uma idade ativa para poder transformar esta economia. Esta força precisa de investimento, precisa de tecnologia, precisa de formação e precisa de oportunidades. Queremos produzir mais em Moçambique, transformar mais em Moçambique, exportar mais produtos com valor acrescentado”, apelou.
Segundo Chapo, ao longo dos últimos anos, Moçambique tem conseguido “mobilizar compromissos significativos de investimento e financiamento para projetos transformadores”, com o Investimento Direto Estrangeiro no país a crescer 60% no último ano.
Contudo, alertou, o “verdadeiro impacto destes compromissos não se mede apenas no momento da sua aprovação”, mas na “velocidade” com que se traduz em empregos.
“A próxima etapa da nossa parceria deve ser marcada não apenas pela mobilização de recursos, mas também pelo reforço dos mecanismos de implementação, coordenação entre nós e desembolso para as oportunidades identificadas para que possam gerar resultados concretos”, apelou.
PVJ // MLL
By Impala News / Lusa