Moçambique quer garantir acesso universal à água para crianças
O Governo moçambicano anunciou hoje que o programa ProÁguas vai ampliar o acesso à água potável e garantir cobertura universal para crianças e comunidades até 2036, numa altura em que apenas 62,6% da população dispõe do serviço.
“Água potável ainda não chega para todas as crianças, infelizmente. A nossa taxa de cobertura de água está em cerca de 62%,6. Ainda temos muito trabalho para fazer”, disse a ministra do Trabalho, Género e Ação Social, Ivete Alane, ao presidir às cerimónias do Dia da Criança Africana, na Matola, província de Maputo.
A governante falava nas celebrações assinaladas este ano sob o lema “Acesso universal à água, saneamento e higiene para todas as crianças de África”, data instituída pela União Africana em memória dos estudantes mortos durante o Levante de Soweto, na África do Sul, em 1976.
Ivete Alane reconheceu que o acesso à água potável e ao saneamento continua a ser um dos principais desafios para o país, sobretudo para as crianças, referindo que a cobertura nacional de saneamento ronda os 40%.
“É por isso que o Governo lançou um programa que se chama Pró-Águas, que é mesmo para ampliar o acesso à água e garantir que todas as crianças, todas as comunidades, tenham acesso à água até 2036”, declarou.
O ProÁguas, Compacto Nacional de Segurança Hídrica 2026-2036, foi lançado em 18 de maio pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo, prevendo a mobilização de 4.593 milhões de dólares (cerca de 3.950 milhões de euros) para expandir o acesso à água e ao saneamento em todo o país.
Segundo dados apresentados na ocasião pelo chefe de Estado, Moçambique regista atualmente uma cobertura de abastecimento de água de cerca de 62,6% e de saneamento de 38,2%, com maiores dificuldades nas zonas rurais, onde milhares de famílias continuam sem acesso adequado a estes serviços básicos.
O programa prevê elevar a cobertura nacional de abastecimento de água para 75% até 2036, incluindo 65% nas zonas rurais e 92% nas zonas urbanas, além da construção e reabilitação de infraestruturas hídricas, expansão de sistemas de saneamento e instalação de serviços de água, higiene e saneamento em mais de 12 mil escolas e centenas de unidades sanitárias.
Já hoje, a ministra aproveitou a ocasião para reafirmar o compromisso do Governo com a proteção dos direitos da criança, defendendo que a sua salvaguarda deve constituir uma responsabilidade permanente da sociedade.
“A criança deve ser protegida, respeitada e colocada no centro do desenvolvimento dos nossos países”, sublinhou.
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By Impala News / Lusa