Adicione a Impala como fonte preferida google share

Paradeiro dos médicos portugueses detidos por Israel ainda desconhecido

Dois médicos portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Reis Dias, foram detidos pelas forças israelitas após a interceção do navio ‘Tenaz’ em águas internacionais. O paradeiro continua desconhecido.

Paradeiro dos médicos portugueses detidos por Israel ainda desconhecido

Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias faziam parte da tripulação do navio Tenaz, uma das mais de 50 embarcações que integravam a Global Sumud Flotilla, que tentava levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza quando foi intercetada pelas forças israelitas em águas internacionais, ao largo do Chipre, na segunda-feira, 18 de maio.

Nesta quinta-feira, os pais dos dois médicos foram recebidos pelo Presidente da República, António José Seguro, numa audiência de urgência solicitada pela família após a detenção. O paradeiro de Beatriz e Gonçalo continua desconhecido, com as famílias a denunciar falta de informação por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Como aconteceu a interceção

A flotilha partiu do porto turco de Marmaris na semana passada, numa missão descrita pelos organizadores como a etapa final de uma viagem planeada até à costa da Faixa de Gaza. As embarcações foram intercetadas a 250 milhas náuticas da costa de Gaza, ou seja, 463 quilómetros.

A transmissão em direto da organização mostrou ativistas a vestir coletes salva-vidas e a erguer as mãos antes da aproximação de uma embarcação com tropas israelitas, equipadas com material tático, que abordaram os navios. A emissão foi interrompida pouco depois.

O exército israelita afirmou que os participantes seriam transferidos para um navio-prisão e conduzidos para o porto israelita de Ashdod. Benjamin Netanyahu justificou a operação acusando a flotilha de ser “uma iniciativa maliciosa” que pretendia quebrar o bloqueio que Israel diz impor “aos terroristas do Hamas.”

Famílias denunciam falta de informação

O irmão de Beatriz Bartilotti revelou ao Correio da Manhã que a família considerava insuficiente a informação prestada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. O PS pediu explicações ao Governo, questionando quais as ações concretas junto das autoridades israelitas para confirmar “a localização, o estado de saúde e as condições de detenção” dos dois médicos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, convocou o embaixador israelita para reunião de urgência. A Ordem dos Médicos manifestou “bastante preocupação” e garantiu acompanhar o caso, com o bastonário a estabelecer contactos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Segundo a Ordem, os dois clínicos “encontram-se sob custódia das autoridades israelitas, devendo posteriormente ser repatriados para Portugal”.

Quem são os dois médicos

Beatriz Bartilotti Matos é médica e ativista com ligações ao movimento de solidariedade com a Palestina. Gonçalo Reis Dias é igualmente médico. Ambos integravam voluntariamente a missão humanitária da Global Sumud Flotilla, que reuniu cerca de 500 ativistas de 45 países a bordo de 54 embarcações.

Além dos dois portugueses, várias dezenas de cidadãos espanhóis seguiam também na flotilha intercetada. Os ministérios dos Negócios Estrangeiros de dez países, incluindo Espanha e Brasil, condenaram veementemente a operação israelita e exigiram a “libertação imediata” de todos os detidos.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

Adicione a Impala como fonte preferida google share