Marisa Cruz Recorda infância marcada por pobreza: “Acho que perdi…”

Aos 51 anos, a atriz diz sentir-se na “melhor fase” da vida – mas não foge ao passado duro. Numa conversa sem filtros, fala da relação distante com a mãe, da ausência do pai, da maternidade (com culpas incluídas), da menopausa e do amor, hoje, “feliz”.

Marisa Cruz Recorda infância marcada por pobreza:

Durante décadas, Marisa Cruz foi, sobretudo, associada à imagem de beleza e sucesso. Miss Portugal em 1992, modelo, apresentadora e atriz, construiu uma carreira sólida e duradoura. Mas, na conversa recente com Duarte Siopa, no programa de rádio Siopa Convida, o que se impõe é a história que ficou fora do enquadramento público ao longo dos anos: a de uma infância vivida sem rede de proteção e de uma maturidade imposta demasiado cedo.

“Não tive a vida facilitada em algumas fases, é verdade. Consegui dar a volta, consegui aprender, consegui superar”, começou por dizer. Hoje, olha para trás com gratidão sem negar o peso do percurso: “Tudo aquilo que eu vivi levou-me a estar aqui e a ser muito grata por tudo o que tive. O melhor, o menos agradável, tudo faz parte da mulher que sou hoje”.

Leia também: Marisa Cruz surpreende com mudança radical e anuncia: “Começa agora…”

Nascida em Angola, Marisa chegou a Portugal ainda criança. Pouco depois, os pais separaram-se e a vida familiar tornou-se instável. A mãe, muito jovem e com vários filhos a cargo, nem sempre conseguia garantir presença, estrutura ou segurança. A pobreza era uma realidade, o quotidiano fazia-se muitas vezes de improviso e sobrevivência, e é neste contexto que a atriz explica porque teve de assumir responsabilidades cedo demais: “Eu era a mais velha de quatro irmãos e por isso ajudava a minha mãe”.

Não se tratava apenas de ajudar. Tratava-se de garantir o funcionamento básico da casa quando não havia mais ninguém para o fazer e essa responsabilidade moldou-lhe a infância. “Tive uma infância muito condicionada. Acho que perdi a oportunidade de viver coisas e depois, mais tarde, senti que teve um impacto na minha vida como mulher, e até como mãe”, assume, recusando reduzir esse tempo apenas à falta de bens materiais: “Foi uma altura difícil, de muitos desafios e de dificuldades. Mas, no meio da dificuldade, havia alegria, havia amor. Eu acho que isso é o que retenho no meu coração.”

Leia a matéria na integra na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Inês Neves; Fotos: D.R. e Impala

Adicione a Impala como fonte preferida google share