Mário Augusto “O cinema ensinou-me a olhar para as pessoas com mais tempo”
No ano em que comemora 40 anos de trabalho em prol do cinema, o jornalista e divulgador recebeu a NOVA GENTE na sua casa, em Espinho. Numa conversa descontraída, fala das memórias destas quatro décadas dedicadas à Sétima Arte, do fascínio que esta ainda exerce em si e da família. E garante que, apesar de estar à beira da idade da reforma, não vai arrumar as botas.
Mário Augusto, quando eu te entrevistei há 15 anos, para a Notícias TV, tu aceitaste o convite e disseste-me: “No fundo, é uma entrevista de vida.” Na altura disse-te que sim. Agora, quando voltei a fazer-te o convite para esta entrevista para a NOVA GENTE, disseste-me: “Isto já não é uma entrevista de vida, é uma entrevista à beira da reforma.” Foi uma brincadeira ou é já um sinal de qualquer coisa que está para acontecer?
[risos] É uma evidência, porque eu tenho 63 anos, portanto, oficialmente, estarei reformado daqui a quatro, no máximo, não é? [pausa] Não quer dizer que deixarei de fazer coisas, mas a forma como hoje o mundo corre e a comunicação se altera… vamos lá ver com que disposição é que eu estarei na idade da reforma, se é para continuar ou não [pausa].
Porquê?
Porque, na verdade, eu sinto que comecei a trabalhar há muito poucos anos. Há uma fase da vida em que nós nos divertimos imenso a fazer as coisas. Quando se tem a sorte de se fazer aquilo de que se gosta, andamos ali num estado de espírito de encantamento constante, a descobrir coisas novas, a fazer. E eu, na verdade, quando olho para trás, ao fim de quarenta anos, epá… já fiz tantas coisas, tanta variedade de coisas. Desde apresentar programas da tarde, a fazer o Bom Dia na RTP, a ser fundador da SIC, a fazer documentários e a ganhar prémios, a escrever para jornais e revistas e a fazer rádio. Ou seja, já há tanta coisa que eu fiz, que não sei se posso ainda ser surpreendido com alguma outra em termos de trabalho. Mas, à partida, já não, já não estou disponível para grandes surpresas (risos).
Mas já houve alguma conversa com a administração da RTP?
Não, não. Nem creio que a RTP alguma vez tenha convidado alguém a sair. Mas há um tempo para tudo. Embora eu tenha vontade de continuar a fazer coisas. Mas já fiz tantas, que é difícil pensar em outras que sejam diferentes.
A tua vida está profundamente ligada ao cinema. Ainda te emociona como no início?
Emociono-me sempre [pausa]. O cinema continua a surpreender-me, continua a emocionar-me e continua a obrigar-me a pensar. Talvez hoje com mais distância e com outra maturidade, mas a essência é exatamente a mesma. Aquela sensação de entrarmos numa sala escura e de repente sermos transportados para outro lugar, para outras vidas, continua a ser uma coisa absolutamente mágica para mim.
Qual foi o primeiro filme que viste?
O primeiro foi A Quimera de Ouro, do Chaplin. Se me perguntares qual o melhor para mim, já há muitas variantes. Se tivesse que eleger um filme que revi mais vezes, talvez O Padrinho 1 e 2. Vejo os dois como um filme só. Mas é difícil escolher um apenas.
Lembras-te de quando percebeste que era este o teu caminho?
Não houve um momento único. Foi uma coisa que foi crescendo. Primeiro como espectador, depois como alguém curioso, depois como alguém que queria perceber como é que aquilo era feito. E quando dei por mim, já não conseguia imaginar-me a fazer outra coisa.
A culpa foi de quem?
[risos] De Espinho, do Cinemanima, o Festival que decorre ao pé de minha casa, e onde comecei a sonhar.
Leia a entrevista completa na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Nuno Azinheira; Fotos: João Manuel Ribeiro