Maria Botelho Moniz e Ana Abrunhosa Os relatos de força e coragem das famosas que se destacaram no último ano

Em jeito de celebração do Dia da Mulher, elegemos vários nomes conhecidos que se destacaram em diversas áreas. Da política ao jornalismo, da televisão ao digital, passando pela gastronomia, fique a conhecer os obstáculos que derrubaram, o que sofreram muitas vezes em silêncio e o que falta fazer num mundo onde a desigualdade persiste.

Maria Botelho Moniz e Ana Abrunhosa Os relatos de força e coragem das famosas que se destacaram no último ano

É certo que o mundo tem vindo a evoluir e Portugal também, mas as diferenças entre homens e mulheres persistem. Em várias áreas, as desigualdades de género são gritantes e é por isso, e não só, que o Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, deve continuar a ser assinalado. No nosso país, são várias as mulheres que, no último ano, se destacaram nas respetivas áreas de trabalho, subiram a pulso e derrubaram preconceitos e estigmas.

A NOVA GENTE elegeu cinco rostos que merecem aplausos e reconhecimento pelo seu percurso. Maria Botelho Moniz, Rebeca Caldeira, Marlene Vieira, Ana Abrunhosa e Tânia Laranjo revelaram, em exclusivo, à nossa revista o que sofreram para se afirmar. São relatos de força e coragem num mundo ainda dominado por homens.

 

Maria Botelho Moniz

 

Maria, na sua opinião, ainda faz sentido comemorar o Dia da Mulher?

Eu acho que o Dia da Mulher é todos os dias, mas se pudermos ter um dia em que assinalamos não só a importância das mulheres, as da nossa vida, mas também o papel da mulher na sociedade, sou a favor.

Mas costuma celebrar o dia?

Não costumo celebrar o dia. Acabo por celebrar o dia porque normalmente estou a apresentar programas em que isso é referenciado de alguma forma, mas na minha vida normalmente não.

Há alguma mulher que a inspire?

A minha mãe, sempre. A minha mãe é uma inspiração, é uma fonte de força, de amor, de luz. É a pessoa mais positiva que eu conheço, é a maior fã de todos os filhos e é uma pessoa extraordinária.

O que é que significa para si ser mulher?

Um conceito mais abstrato do que às vezes parece. Sim, eu não sei ser outra coisa, não é? Portanto, para mim ser mulher é ser amor. Eu acho que há um lado muito de cuidadora nas mulheres e eu gosto muito de sentir isso, que tenho esse meu lado, que herdei da minha mãe. A mulher cuida, a mulher ama, a mulher carrega muitos pesos em cima que, muitas vezes, não são notados. Acho que nem sempre é fácil, acho que um homem nunca irá entender as pequenas batalhas do dia a dia que nós temos. Portanto, para mim ser mulher é ser amor e é ser força.

Mas alguma vez se sentiu discriminada por ser mulher?

Discriminada talvez não seja a palavra, mas não há nenhuma mulher que nunca tenha sentido um olhar menos próprio. Não há nenhuma mulher que não saiba o que é andar num transporte público e alguém chegar demasiado perto. Não há nenhuma mulher que nunca tenha sentido medo de andar na rua à noite. Não há nenhuma mulher que nunca tenha entrado num táxi ou num carro que a vá levar a casa e não tenha fingido que está a falar ao telefone. E isso são coisas que eu acho que só nós sabemos o que é. E explicar isto a um homem não é assim tão linear. Acho que todas nós já sentimos medo em algum momento da nossa vida. E acho que isso é difícil de compreender para quem não é mulher.

 

Leia as restantes entrevistas na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Textos: Andreia Valente, Luís Duarte Sousa, Vânia Nunes e Neuza Gomes. 

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