Margem direita do canal do rio Mondego rebentou junto à A1
O cenário que as autoridades temiam confirmou-se esta tarde: a força das águas do Rio Mondego provocou a rutura da margem direita do canal principal, na zona dos Casais. O incidente obrigou ao corte imediato da A1 e deixa o Baixo Mondego sob vigilância apertada.
O Rio Mondego voltou a mostrar a sua força indomável. Após dias de pressão extrema causada pelos elevados caudais, o dique de proteção na margem direita, situado junto ao viaduto da Autoestrada 1 (A1) no quilómetro 191, acabou por ceder. A rutura, confirmada pela Proteção Civil e pela Associação de Agricultores do Vale do Mondego, ocorreu por volta das 17h45, lançando uma torrente de água sobre campos agrícolas e ameaçando infraestruturas críticas.
Corte na A1 e Caos no Trânsito
Devido à proximidade da rutura com os pilares do viaduto e à acumulação de água na via, a circulação na A1 foi totalmente interrompida no troço que atravessa o concelho de Coimbra. As autoridades estão no terreno a avaliar a segurança estrutural da principal artéria rodoviária do país, enquanto o trânsito é desviado para vias secundárias, que já se encontram sob forte pressão devido ao mau tempo.
Como sublinham os especialistas, este incidente não é um caso isolado. A gestão do canal central do Mondego tem sido um desafio constante, especialmente quando os caudais ultrapassam os 1.500 m3/s, colocando em causa a resistência de estruturas com décadas de existência.
Populações em alerta: O fantasma de 2001
A memória das cheias catastróficas de 2001 e de 2019 paira sobre os habitantes da região. Na altura, roturas semelhantes causaram prejuízos de milhões de euros em habitações e explorações agrícolas. Embora a rutura atual tenha ocorrido numa zona predominantemente agrícola (São João do Campo), o risco de novos colapsos é real.
“O rio fez uma pressão insustentável sobre a margem e acabou por galgá-la”, referem testemunhas no local. A Proteção Civil de Coimbra já iniciou a evacuação preventiva de cerca de 3.000 pessoas das zonas mais baixas, como Bencanta e Ameal, para evitar perdas de vidas humanas caso a situação se agrave durante a noite.
Casos semelhantes e gestão de crise
A história do Mondego é pontuada por estes eventos. Em dezembro de 2019, o sistema de diques também falhou em Santo Varão, forçando intervenções de urgência que custaram milhões ao Estado. Atualmente, o Governo e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) admitem que estamos “no limiar da capacidade” de retenção das barragens, como a da Aguieira, que tem vindo a realizar descargas controladas para evitar um mal maior.
Além da monitorização constante por parte da GNR e do LNEC, as próximas horas serão cruciais para perceber se o dique da margem esquerda, que também apresenta infiltrações, conseguirá aguentar a pressão.