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Mais de um milhão de peregrinos muçulmanos a caminho de Meca

Mais de um milhão de peregrinos de todo o mundo já começaram a convergir para Meca para a importante peregrinação anual dos muçulmanos, enquanto cresce o receio do colapso do frágil cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos.

Mais de um milhão de peregrinos muçulmanos a caminho de Meca

Como todos os anos, os fiéis de todos os países, incluindo o Irão e as monarquias do Golfo Pérsico, vão reunir-se na próxima semana para o Hajj – a peregrinação realizada à cidade santa na Arábia Saudita, que é considerada um dos pilares do Islão.

Entretanto, este ano existe o receio da escalada do conflito regional, depois de o Irão lançar ataques contra os seus vizinhos do Golfo, aliados de Washington, após o início da guerra desencadeada por ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro.

“Agitar bandeiras políticas ou religiosas, bem como entoar quaisquer ‘slogans’, é proibido durante o Hajj”, lembraram os meios de comunicação estatais sauditas ao público na terça-feira.

Riade está empenhada em manter a política separada da peregrinação, sobretudo quando o cessar-fogo acordado no início de abril é frágil, juntamente com um ataque iraniano recente contra uma instalação nuclear nos Emirados Árabes Unidos (EAU), mantém a região tensa.

Todo o muçulmano deve realizar esta peregrinação pelo menos uma vez na vida, se tiver condições. Segundo as autoridades, mais de 1,2 milhões de peregrinos já chegaram à Arábia Saudita para a peregrinação do Hajj, que começa na segunda-feira. No ano passado, 1,6 milhões de pessoas participaram na peregrinação, de acordo com dados oficiais.

A peregrinação a Meca é, desde há muito, um ponto de discórdia entre o Irão, de maioria xiita, e a Arábia Saudita, de maioria sunita.

Nos anos que se seguiram à Revolução Islâmica no Irão, as autoridades sauditas acusaram os peregrinos iranianos de provocarem tumultos mortais e outros atos de violência, para além de entoarem regularmente ‘slogans’ políticos, um ato considerado tabu pela comunidade religiosa de Meca.

A última grande disputa eclodiu em 2015, quando a Arábia Saudita e o Irão voltaram a acusar-se mutuamente depois de 464 iranianos estarem entre os 2.300 peregrinos mortos num tumulto, uma das tragédias mais mortíferas da história do Hajj.

Nenhum peregrino iraniano foi autorizado a participar em 2016. Nesse ano, as duas potências do Médio Oriente romperam relações diplomáticas, restabelecendo-as em março de 2023 através de uma reaproximação mediada pela China.

Os especialistas acreditam que as autoridades farão tudo o que for possível para evitar que os distúrbios interrompam a peregrinação deste ano.

Os peregrinos iranianos começaram a chegar à Arábia Saudita no final de abril e espera-se que dezenas de milhares participem no Hajj. Tal como outros peregrinos, estarão expostos ao sol inclemente da Península Arábica, com temperaturas que deverão ultrapassar os 40° Celsius.

Há anos que as autoridades sauditas tentam mitigar os efeitos do calor extremo, principalmente com a instalação de ar condicionado nos edifícios e a expansão das zonas sombreadas. Em 2024, mais de 1.300 peregrinos, incluindo 22 iranianos, morreram durante o Hajj, quando as temperaturas atingiram quase 52°C, segundo as autoridades.

Este ano, o Ministério da Saúde da Arábia Saudita anunciou que mais de 50.000 profissionais de saúde e 3.000 ambulâncias foram mobilizados para auxiliar os peregrinos.

Apesar do calor e da guerra em curso, os fiéis dizem-se tomados pela emoção com a perspetiva de estarem perto da Caaba, o gigantesco cubo negro a que os muçulmanos de todo o mundo se voltam para rezar.

CSR// APN

By Impala News / Lusa

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