Adicione a Impala como fonte preferida google share

O Apagão da Kristin: 7.600 famílias no escuro e um rasto de destruição sem precedentes

Passaram-se três semanas desde que a depressão Kristin fustigou Portugal Continental, mas para milhares de portugueses o tempo parou no dia 28 de janeiro. Entre postes derrubados e habitações isoladas, o país tenta erguer-se de uma catástrofe que já contabiliza 16 vítimas mortais.

O Apagão da Kristin: 7.600 famílias no escuro e um rasto de destruição sem precedentes

A normalidade é ainda uma miragem em várias regiões do Centro e do Alentejo. Segundo o último balanço da E-Redes, emitido às 08h00 desta quarta-feira, 18 de fevereiro, cerca de 7.600 clientes continuam sem abastecimento de energia elétrica após a destruição e as mortes provocadas pela depressão Kristin. Embora o número tenha descido face aos 9.000 registados no dia anterior, a demora na reposição total do serviço está a testar o limite das populações afetadas.

Cronologia do Caos: Do Impacto à Recuperação

Para compreender a dimensão deste fenómeno “sem precedentes na história da rede elétrica nacional”, é necessário recuar ao momento em que o país foi colocado em alerta máximo.

28 de Janeiro: A depressão Kristin atinge Portugal Continental com ventos furiosos e chuva extrema. O pico do temporal deixa mais de 1 milhão de clientes sem luz.
29 de Janeiro: O Governo declara as primeiras medidas de emergência. Relatos de árvores caídas, estradas cortadas e as primeiras vítimas mortais começam a surgir.
1 de Fevereiro: Conselho de Ministros extraordinário aprova um pacote de ajuda de 2,5 mil milhões de euros para os 68 concelhos em situação de calamidade.
11 de Fevereiro: Duas semanas após o impacto, a E-Redes confirma a reposição de energia a 970 mil clientes, mas revela danos estruturais em 5.800 postes e mais de 6.300 km de rede afetada.
18 de Fevereiro (Hoje): O balanço oficial aponta para 16 mortos e milhares de feridos e desalojados. 7.600 pontos de entrega continuam às escuras.

Zonas críticas: O coração do País sob escombros

As regiões mais fustigadas continuam a ser o Centro (Leiria, Santarém, Castelo Branco e Coimbra), Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo. Em concelhos como Pombal e Leiria, a destruição de explorações agrícolas e florestais é total, levando à visita urgente de comissários europeus para avaliar o prejuízo.

A E-Redes justifica a demora com a “complexidade técnica das reparações”, que em muitos casos exige a reconstrução total de troços da rede em locais de difícil acesso, onde a maquinaria pesada ainda não consegue chegar devido à saturação dos solos.

Memória de outros temporais: O espectro de 2023 e a tempestade Leslie

Portugal não é estranho a fenómenos extremos, mas a Kristin superou em danos materiais o histórico recente. Casos como a Depressão Elsa (2019) ou a Tempestade Leslie (2018) já tinham deixado marcas profundas, mas a sucessão de três depressões seguidas – Kristin, Leonardo e Marta – criou um efeito dominó que as infraestruturas nacionais não conseguiram conter.

Em situações de mau tempo anteriores reportadas pela Impala, a resiliência da rede elétrica já tinha sido colocada em causa, levando a investimentos que, perante a fúria da Kristin, se revelaram insuficientes.

Apoios a famílias e empresas

O Governo já iniciou o pagamento de apoios diretos a cerca de 3.500 agricultores. Estão também em vigor medidas como:

Suspensão de despejos e execuções de hipotecas nas zonas afetadas.
Adiamento do pagamento de impostos (IUC e IRS) até abril.
Incentivos financeiros para manutenção de postos de trabalho.
Alerta à População: A E-Redes reforça que ninguém deve aproximar-se de cabos elétricos caídos ou postes danificados. Qualquer anomalia deve ser reportada de imediato através do número 800 506 506.

Adicione a Impala como fonte preferida google share