Joana Marques Perde pessoa especial: “A minha cúmplice no crime”
Joana Marques está de luto. A humorista e radialista da Renascença perdeu a avó Estela, que morreu aos 103 anos, e recorreu às redes sociais para lhe prestar uma última homenagem num texto profundamente emotivo, que rapidamente tocou milhares de seguidores.
Joana Marques atravessa dias de dor com a morte da avó Estela, que viveu até aos 103 anos. “A minha avó era imortal, até prova em contrário. Infelizmente a prova chegou. Mas felizmente tardou. Nenhum texto lhe fará justiça, mas como fã nº1 de qualquer coisa que eu escrevesse (com aquela parcialidade que vem com o amor incondicional dos avós), acho que merece uma última (que nunca será) homenagem”, começou por escrever a humorista, em jeito de homenagem.
Ao longo do testemunho, Joana Marques recorda a personalidade irreverente da avó, com quem tinha uma grande ligação: “Para mim era ‘Avó Estela’, mas teve vários nomes ao longo da vida. Contava-me que na escola era ‘Maria Rita’, porque estava sempre a rir, nomeadamente quando fazia imitações dos professores da ‘instrução primária’”.
A radialista recorda ainda os sonhos artísticos da avó, que queria ter sido atriz: “Diz que queria ser atriz mas que não era uma profissão muito bem vista para meninas nascidas em 1923. Acredito que passou ao lado de uma grande carreira, mas tive a honra de fazer de sua encenadora em muitos teatros caseiros.”
“Leitora ávida, até ao último dia, e maior consumidora de palavras cruzadas da península ibérica, ensinou-me o que queria dizer ‘trocista’, e percebi que era ‘adjectivo, sinónimo de nós as duas’”, continuou.
Num dos trechos mais marcantes do seu texto, a humorista conta como a avó era vista pelos amigos de infância. “A minha melhor amiga da primária chamava-lhe ‘Avó Estrela’. O que podia parecer, à primeira vista, um erro de grafia, não podia estar mais certo. Era uma estrela. (…) Mas uma estrela rock.”
A relação entre ambas foi marcada por cumplicidade absoluta, como fez questão de revelar: “A minha cúmplice no crime, fosse nas férias no Hotel do Vimeiro, em que o limite legal de gelados por dia era largamente ultrapassado ou anos mais tarde, quando me levava a festas às quais estava proibida de ir.”
Joana Marques enalteceu ainda a vida longa e boa que a sua avó teve: “Viveu o suficiente para ter dois bisnetos, e direito a mais um nome: ‘Avó Catela’. Bisavó era um título demasiado pesado para alguém tão leve.”
“Não tive só uma vida com a minha avó. Tive direito a várias. E que boas vidas foram (…) Nunca me vou esquecer dela porque é impossível esquecermos alguém que também somos. Nem é preciso ir vasculhar álbuns antigos, basta olhar ao espelho”, concluiu.
Texto: Tiago Miguel Simões; Fotos: Impala e DR