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Israel envia divisão do exército para reforçar operações no Líbano

As forças israelitas enviaram mais uma divisão para reforçar as suas operações contra o grupo xiita Hezbollah no sul do Líbano, onde o Governo de Israel pretende alargar “a zona de segurança” entre os dois países.

Israel envia divisão do exército para reforçar operações no Líbano

O exército israelita anunciou hoje o envio da 162.ª Divisão para o sul do Líbano, juntando-se aos milhares de militares que já se encontravam na região desde o recomeço dos confrontos com o Hezbollah, em 02 de março.

Segundo a imprensa israelita, a 162.ª Divisão já iniciou operações no setor oeste do sul do Líbano, que hoje indicou que vai recorrer de imediato ao Conselho de Segurança da ONU a propósito das ações militares de Israel que “ameaçam a soberania” do país.

Após uma reunião do Governo, à qual faltaram os representantes do Hezbollah, o ministro da Informação, Paul Morcos, esclareceu que a decisão foi motivada pelo “bombardeamento da maioria das pontes sobre o rio Litani”, que separa o sul do Líbano do resto do país, pelo “deslocamento forçado em massa de habitantes” e pelo “avanço das tropas israelitas em território libanês, acompanhado de destruição”.

A ofensiva foi desencadeada como resposta aos ataques aéreos do Hezbollah desde 02 de março contra Israel, dois dias após o início dos bombardeamentos israelo-americanos contra o Irão, aliado do grupo libanês.

Nas últimas semanas, os bombardeamentos de Israel e a expansão das suas posições militares no sul do Líbano já provocaram cerca de 1.100 mortos e acima de um milhão de deslocados, segundo dados das autoridades de Beirute.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou na quarta-feira que Israel está a expandir a “zona de segurança” no Líbano para “eliminar a ameaça de mísseis” do Hezbollah.

“Criámos uma verdadeira zona de segurança que impede qualquer infiltração na Galileia e na fronteira norte [de Israel com o Líbano]. Estamos a expandir esta zona para eliminar a ameaça dos mísseis”, disse o chefe do Governo.

No dia anterior, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, já tinha indicado que o exército vai criar “uma linha de defesa avançada” de cerca de 30 quilómetros até ao rio Litani, justificada como uma medida de segurança face aos ataques aéreos do Hezbollah contra Israel.

O Presidente libanês, Joseph Aoun, procurou um cessar-fogo negociado com Israel, mas até agora sem sucesso.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, voltou a exigir na terça-feira ao Governo libanês que “tome medidas concretas e significativas” contra o Hezbollah, depois de Benjamin Netanyahu ter advertido nas últimas semanas que ou Beirute tratava do assunto ou Israel vai fazê-lo no seu lugar.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, condenou pelo seu lado uma alegada tentativa de criação de um “Grande Israel” abrangendo território libanês e afirmou que só resta ao movimento confrontar estes planos ou entregar-se.

“Já não é segredo que existe um perigoso projeto israelo-americano, o ‘Grande Israel’, que se baseia na ocupação e expansão do Eufrates até ao Nilo, incluindo o Líbano”, declarou o secretário-geral do grupo xiita, cujas atividades militares foram proibidas pelo Governo libanês no mesmo dia em que recomeçaram os seus ataques contra o território israelita.

Israel e o Hezbollah chegaram a um acordo de cessar-fogo em novembro de 2024 para terminar mais de um ano de confrontos diretos, no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, mas o entendimento nunca foi respeitado por completo.

A missão de paz da ONU no Líbano (FINUL), que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o seu mandato este ano.

 

HB // SCA

By Impala News / Lusa

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