Inês Herédia Fala sobre a educação dos filhos: “Eu sou sargenta. A gabi é mais tranquila”
Diz que é uma mãe rígida, mas assume que também tem um lado brincalhão. No que toca aos assuntos do amor, a atriz revela estar a viver uma fase muito feliz: “Não podia estar melhor”.
As rotinas de Inês Herédia sofreram alterações profundas desde a separação de Gabriela Sobral, sobretudo no que toca à organização da vida familiar e à gestão dos filhos, os gé-
meos Luís e Tomás.
A atriz esteve recentemente a gravar a novela A Madrasta, da TVI, e falou sobre esta fase da sua vida à margem da apresentação da produção, que decorreu no passado dia 2, no Triplex, em Lisboa, explicando como concilia o trabalho intenso com a maternidade e a partilha de responsabilidades. “Na novela A Protegida, eu já estava separada, as pessoas é que não sabiam. Por isso é um bocadinho a mesma coisa”, começou por dizer, deixando claro que, apesar da mudança de estado civil, a dinâmica familiar já se encontrava ajustada há algum tempo antes de se tornar pública.
A verdade é que, apesar da separação, as duas mantêm uma relação próxima e funcional, sobretudo centrada no bem-estar dos filhos. A atriz sublinha que a comunicação entre ambas continua fluida e que a organização familiar está bem estruturada. “Estamos completamente na vida uma da outra. Somos muito amigas, a Gabi vai lá a casa, eu vou lá à dela, portanto somos bastante organizadas. Nas minhas semanas sou eu a ir buscar à escola. Nas semanas da Gabi, é ela a ir buscá-los”, explicou.
Ainda assim, admite que o lado emocional nem sempre acompanha esta harmonia prática. A ausência dos filhos, nos períodos em que estão com a outra mãe, continua a ser um desafio difícil de gerir. “Vai ser sempre estranho. Eu sei que todas as mães são diferentes, mas eu ainda não cheguei àquela fase em que penso: ‘Que bom, lá vão eles para outra semana’. Se calhar uma mulher lésbica vê as coisas de maneira diferente. Foi preciso tanto para os ter, que nunca olhei para eles como um peso”, afirmou.
A artista procura viver a maternidade com leveza e humor, sem deixar de impor regras claras no dia a dia. “Tenho consciência que faz tudo parte do processo. Eu sou muito miúda também, rio muito com a estupidez deles, com a palhaçada. Às vezes tenho que virar a cara para não me rir”, confessou. Ainda assim, faz questão de reforçar a disciplina em casa. “Eu sou sargenta. Às oito tem de estar toda a gente na cama. A Gabi é muito mais tranquila do que eu. Penso que tem a ver com a idade”, acrescentou, em tom descontraído.
No plano pessoal, revelou que, ao longo dos últimos tempos, voltou a viver momentos de paixão, embora opte por não expor a sua vida amorosa. Sem confirmar o seu estado atual, mantém uma postura reservada sobre o tema. “Eu nunca digo. Se apanharem, apanharam, mas eu nunca digo”, afirmou. Ainda assim, garante estar numa fase positiva e equilibrada. “Estou ótima, não podia estar melhor”, reforçou.
Com o fim das gravações, a atriz prepara agora um período de pausa, que pretende dedicar a outras dimensões da sua vida. “Agora vou estar quieta, preciso mesmo de estudar, de ler coisas bonitas. E vou continuar a escrever, tenho entregas para breve”, explicou. Entre os planos mais imediatos está também uma viagem de descanso em família. “Em julho vou à Madeira com os meus filhos e aproveitar mesmo para descansar e parar”, revelou.
“Estamos apaixonados uns pelos outros”
Apesar da intenção de abrandar o ritmo, a atriz reconhece que esta fase recente de trabalho foi particularmente marcante, não apenas pela exigência profissional, mas também pelo impacto emocional. “Estou livre, mas livre enquanto mulher, não tem nada a ver com outras pessoas. Estou presente, o que às vezes é difícil. Ou estamos presos a uma história do passado, ou no que queremos que aconteça. E aqui eu estive completamente a viver o que estava a acontecer”, refletiu.
Essa entrega ao momento esteve também ligada ao ambiente vivido nas gravações, que descreve como extremamente intenso. A atriz não poupa elogios ao elenco de A Madrasta, sublinhando a ligação criada entre todos os elementos da equipa. “Temos um elenco… Isto é irrepetível, estamos completamente apaixonados uns pelos outros. Não fazemos outra coisa senão estar juntos. Estamos mesmo viciados, vai ser horrível esta separação”, confessou.
O ritmo acelerado das gravações acabou por criar uma cumplicidade rara entre colegas. “É um elenco muito forte em termos de talento e capacidade de trabalho. Nós estamos a gravar cada vez mais em menos tempo, mas ainda assim estamos tão felizes. Não me lembro de ser tão feliz a trabalhar, é muito raro, houve aqui qualquer coisa em que nos ligámos”, concluiu.
Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Tito Calado e Impala