Inês Balinha Carlos Critica comentadores de TV: “As pessoas estão a ser enganadas”
Há 21 anos em consultório e há pouco mais de um em televisão, a psicóloga do Dois às 10 defende uma psicologia acessível e sem tabus. Valoriza o humor como ferramenta terapêutica e alerta para a banalização da saúde mental e a presença mediática de analistas sem formação adequada.
Para quem acompanha o seu percurso mais de perto, o seu nome está associado à psicologia clínica, à intervenção na infância e adolescência e, mais recentemente, à presença em televisão. Para quem a está a descobrir agora, quem é a Inês Balinha Carlos?
Como psicóloga, o meu gabinete é conhecido por ser o mais divertido. Gosto muito que a ida ao psicólogo seja uma coisa leve. Faço um trabalho sério, planeado, mas depois tento intercalar entre dor e sorriso e leveza, porque muito da vida passa exatamente por isso, por conseguirmos suportar a dor através do humor.
É isso que faz também a nível pessoal?
Sim. E é isso que incito os meus pacientes a fazer: arranjar sempre uma forma leve de fazer coisas muito sérias. Isto não é do senso comum. Uma pessoa quando pensa em ir a um psicólogo, não pensa que se vai rir. E o meu gabinete faz mesmo muito barulho.
A televisão trouxe-lhe uma visibilidade que vai além do consultório. Percebeu que a sua voz tinha impacto antes ou depois disso?
Muito antes. Eu dou consultas há 21 anos. O amor da minha vida são as consultas. Eu sempre quis uma profissão que me permitisse sustentar-me. Não precisava de ganhar muito dinheiro, até porque nós sabemos que os psicólogos não ganham, mas que sentisse que fazia diferença na vida das pessoas. E, quando comecei a trabalhar e a criar a minha identidade profissional, percebi que as pessoas me ouviam. Em consulta, faço questão de sermos todos iguais, porque somos todos sobreviventes a tentar lutar contra a vida, a tentar assumir os nossos erros e sobreviver à tristeza e à dor que a vida tem. Por isso, rio tanto.
Esta área é o amor da sua vida desde sempre ou aconteceu por acaso?
Por volta dos dez anos eu estava muito triste a olhar para as pessoas que eu mais amo, que eu achava que tinham tudo para ser felizes, mas não conseguiam. Já tinha a ideia de que ia descobrir técnicas especiais para um dia poder ajudar quem não conseguia ver o lado bom da vida, que eu sempre achei que é tão feliz. Eu tenho um irmão e a minha mãe dizia uma frase muito gira: “O João não era feliz nem com um Maserati, a Inês é feliz com um berlinde”. Eu tento sempre tirar o melhor de todas as más situações, e um dos meus maiores orgulhos é que as pessoas que estão comigo fazem isso e os meus dois filhos também. Eu não imagino a minha vida sem dar consultas, nunca.
E a exposição mediática através do ecrã alterou alguma coisa nessa sua vertente psicóloga?
Nada. Eu acredito que, para termos sucesso, temos de ter vários cestos, para o caso de um cair ao chão não ficarmos sem ovos. O que eu gosto é a estabilidade que isto me dá, porque sempre trabalhei por conta própria. Portanto, a televisão foi um cesto, pelo qual me sinto muito grata, que me permite ser mais estável e ter mais confiança e segurança. Agora, eu adoro aquela sensação de que sou sempre a Inês da clínica. Eu vou sempre ser a Inês da clínica.
Como é que surgiu o convite para estar no Dois às 10 a comentar casos de crime?
Esse não foi o primeiro. O primeiro convite foi o meu padrinho da televisão, a quem agradeço tudo, que é jornalista Miguel Fernandes. Foi quando eu decidi criar um perfil de Instagram para publicar as minhas histórias e aquilo pegou. Para meu espanto, o Miguel Fernandes viu os meus textos e mandou-me uma mensagem a perguntar se eu tinha especialização em medicina legal e em psicologia criminal e eu disse que sim. Fui para o V+ Crime. Depois veio o Em Cima da Hora com a Conceição Queiroz, que ainda hoje faço uma ou duas vezes por semana. E depois a Cristina Ferreira viu-me e disse “eu quero aquela miúda”. Portanto, o meu padrinho de televisão, a quem agradeço tudo, é o Miguel Fernandes e a madrinha é a Cristina Ferreira. E consegui o objetivo, que é o lançamento de um livro, que vai sair a 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental.
Leia a entrevista completa na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: Pedro Melo e Redes Sociais.